<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619</id><updated>2011-04-22T05:14:33.991+01:00</updated><title type='text'>Ao sabor do Vento</title><subtitle type='html'>Artigos de opinião de Rui Marques</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>64</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-2375719145042801062</id><published>2008-07-15T17:10:00.001+01:00</published><updated>2008-07-15T17:11:20.419+01:00</updated><title type='text'>Ser Melhor</title><content type='html'>Portugal tem, ao longo da sua História, revelado capacidades inesperadas de vencer obstáculos aparentemente inultrapassáveis. Somos capazes de fazer o impossível, se a missão é grandiosa. O nosso problema não está aí. Para Portugal e para os portugueses, o desafio está na continuidade, no quotidiano, no aperfeiçoamento. Na banalidade dos pequenos pormenores. Na constância de uma determinação de ferro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Movimento Esperança Portugal (MEP), particularmente em tempo de crise, ambiciona para o nosso País um objectivo mobilizador, capaz de nos projectar para o futuro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propomos, assim, como objectivo para o Portugal do século XXI uma missão ao mesmo tempo simples e ambiciosa: &lt;strong&gt;Ser Melhor&lt;/strong&gt;. Em tudo, sempre e independentemente das circunstâncias. Numa permanente competição connosco próprios, melhorando sustentadamente processos e resultados. É simples: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ser Melhor deveria ser a obsessão nacional.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que este objectivo é universal. Ao contrário do discurso da “excelência” que por natureza é elitista – nem todos podemos ser excelentes – e desresponsabiliza a maioria, a ambição de “Ser Melhor” não deixa ninguém de fora. Responsabiliza-nos a todos. Dirige-se a cada um de nós, enquanto profissional e enquanto cidadão. Mas também constitui um desafio às nossas instituições, públicas e privadas. Exige empresas melhores. Desafia para um Estado melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem hesitações, Portugal precisa querer ser melhor, todos os dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta aspiração a Ser Melhor, são fundamentais as &lt;strong&gt;culturas de planeamento, de execução e de avaliação&lt;/strong&gt;. Necessitamos de cuidar do planeamento com empenho, deixando ao improviso só os verdadeiros imponderáveis. Precisamos de investir numa execução rigorosa e cuidada, eficaz e eficiente. Por exemplo, temos que fazer melhor, com menos dinheiro, pois as finanças públicas não suportam o aumento da despesa e também não é desejável, nem viável, o aumento da carga fiscal. Finalmente, ambicionamos uma avaliação permanente, capaz de se constituir como oportunidade de reconhecimento e de aprendizagem, de melhoria contínua e progressiva. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Mas também as atitudes contam. Sabemos que ninguém vence batalha alguma num quadro de desânimo ou desistência. Precisamos de cultivar atitudes que reflictam &lt;strong&gt;motivação, ambição e persistência&lt;/strong&gt;. Necessitamos de motivar todos para este combate e ter a ambição firme de o vencer. Perante as dificuldades e os revezes que sempre existirão temos que saber persistir. Tentar tantas vezes quantas as necessárias para vencer. Estar disponível para correr maratonas e não ficar só pelos fogachos de 100 metros. Só assim chegaremos a destino que valha a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Melhor é possível” é o lema que defendemos para Portugal. Assumimos que está verdadeiramente ao nosso alcance um País melhor, porque mais humano e mais justo. Mas não só. Por estes dias, é também evidente que “Melhor” não só é possível, como necessário e urgente. É agora ou já. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Público, 15.7.2008)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-2375719145042801062?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/2375719145042801062/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=2375719145042801062' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2375719145042801062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2375719145042801062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/07/ser-melhor.html' title='Ser Melhor'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5902459063307318845</id><published>2008-07-03T15:09:00.001+01:00</published><updated>2008-07-03T15:09:43.515+01:00</updated><title type='text'>Fogo frio e silencioso</title><content type='html'>Como se já não chegasse, a avalanche de más notícias teve esta semana um dos factos mais perturbantes dos últimos meses. Atrevo-me a dizer, mesmo mais grave que os 143 dólares do petróleo ou a subida das taxas de juro. Sobre o país está a abater-se um fogo silencioso e imparável que destrói um património irrecuperável a curto prazo: o pinhal. A expansão da praga do nemátodo do pinheiro a todo o país, colocando em risco a extensa mancha de pinhal que constitui um activo fundamental (3% do PIB), não pode ser resolvida em poucos anos e causará um assinalável prejuízo à fileira florestal da economia portuguesa. As medidas de contenção na península de Setúbal, que foram tomadas tardiamente, não foram suficientes e agora o fogo frio e silencioso arde sem controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se responde a este facto com uma visão de esperança? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este constitui o ponto fulcral. O primeiro ponto a sublinhar é que devemos aprender com este erro. Portugal precisa de cultivar, em todas as áreas, a prevenção como ferramenta mais barata para evitar catástrofes. Prevenir, deveria ser sempre um tema de agenda, sobretudo quando a ameaça ainda está longe ou inactiva. Neste caso, devemos rever todo o processo de combate ao nemátodo desde 1999 e perceber onde errámos para – pelo menos – aprendermos para a próxima e, eventualmente, responsabilizarmos os culpados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, anuncia-se agora a vinda dos maiores especialistas mundiais, em Outubro – quando já deveriam ter vindo no início da crise – pelo que há que seguir rigorosamente as suas orientações para salvar o que é possível salvar. Seguramente será necessário abater as arvores doentes (e mesmo outras em zonas de contenção), bem como tratar convenientemente a madeira para evitar a contaminação para outras regiões dentro e fora de Portugal. Mas também é fundamental uma visão solidária de toda a comunidade para com os que são mais duramente atingidos por esta calamidade, através da atribuição e pagamento efectivo de um subsídio compensatório que possa minimizar os danos. Em simultâneo, é necessário apostar imediatamente na reflorestação com outras espécies, compatíveis com os solos e o clima, para ter um nível de substituição florestal razoável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal não precisava de mais este problema. Mas se o temos, há que o enfrentar com determinação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5902459063307318845?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5902459063307318845/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5902459063307318845' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5902459063307318845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5902459063307318845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/07/fogo-frio-e-silencioso.html' title='Fogo frio e silencioso'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-682835584013649083</id><published>2008-06-14T16:37:00.001+01:00</published><updated>2008-06-14T16:37:49.361+01:00</updated><title type='text'>Contra o medo</title><content type='html'>Nas últimas semanas, no quadro da minha intervenção cívica e política, tenho percorrido o País, para falar de política da esperança. De como é possível ultrapassar os inúmeros obstáculos que temos pela frente, se juntos nisso nos empenharmos, dando o melhor de nós próprios. Se arregaçarmos as mangas e deitarmos mãos à obra. É óbvio que esta tarefa é particularmente difícil nestes dias, em que se acumulam as más notícias e as nuvens negras sobre o horizonte se vão acumulando. Mas, mais do que nunca, é fundamental. Sem esperança, afundamo-nos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por entre a riqueza desta experiência, onde nos vamos cruzando com um país real cheio de potencialidades, mas também amarrado por vários bloqueios, vou anotando muitas esperanças e algumas preocupações. Entre estas, destaca-se o medo omnipresente. Sim, o medo. Nunca imaginei que trinta e quatro anos depois da festa da liberdade, tanta gente vivesse tolhida pelo medo. Medo de tudo e medo de nada. Do chefe, do presidente da câmara, do Estado, do SIS, da ASAE, do fisco, enfim, de tudo o que mexe. Medo de represálias, de vinganças, de negócios perdidos, de oportunidades goradas. Medo de falar ao telefone e ser escutado, medo de servir alheiras e ser multado. Medo atrás de medo. Este é um medo que nos paralisa; um medo que nos descaracteriza. Curiosamente, esta expressão é inversamente proporcional à dimensão do sítio – quanto mais pequeno o lugar, mais evidente o medo – e directamente proporcional à formação dos visados – quanto mais diferenciada a pessoa, maior o medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou famoso o discurso, há mais de um ano, na sessão comemorativa do 25 de Abril, que o Deputado Paulo Castro Rangel proferiu na Assembleia da República, clamando contra a claustrofobia democrática. Hoje, concordo mais com a sua preocupação, do que nessa altura. É urgente reagir contra o medo. Mas a primeira e decisiva reacção passa, não tanto por acusar este ou aquele protagonista, mas por termos consciência de que quem não reage contra o medo, acaba seu prisioneiro. Mais: alimenta-o e vai aumentado o seu domínio, até que o medo se torna senhor absoluto. Ao contrário, quem reage contra o medo, sacode-o e fá-lo recuar. Quase sempre, quem gera medo é cobarde quando enfrentado. Por isso, os portugueses precisam de reencontrar coragem para levantar a cabeça e não se deixarem atemorizar. A nossa liberdade – política, religiosa, cultural - não pode ser fechada numa caixa, que ainda que tenha paredes invisíveis, não deixa de ser profundamente claustrofóbica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-682835584013649083?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/682835584013649083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=682835584013649083' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/682835584013649083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/682835584013649083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/06/contra-o-medo.html' title='Contra o medo'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-3060510199143170734</id><published>2008-06-14T16:36:00.002+01:00</published><updated>2008-06-14T16:37:04.761+01:00</updated><title type='text'>Fogo cerrado</title><content type='html'>Portugal tem, é sabido, uma sociedade civil frágil. Fruto de séculos de centralismo estatal, de uma cultura de dependência dos poderes públicos e de uma aversão ao empreendedorismo social, estamos muito longe do nível desejável de pujança das instituições da sociedade civil. O terceiro sector – o que não é público, nem privado com fins lucrativos – tem que se reforçar em Portugal. Sabemos, a propósito, que os países mais desenvolvidos o são, não só pela competitividade das suas economias, mas pela força das suas comunidades e pelo empenho cívico das suas populações. É para esse modelo que devemos mover-nos: uma sociedade civil cada vez mais forte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, em Portugal, as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), incluindo as Misericórdias, representam mais de quatro mil instituições, com 270.000 funcionários e mobilizam 4,2% do PIB. Garantem o essencial dos serviços sociais de apoio à infância e à terceira idade. Constituem uma realidade essencial na sociedade portuguesa. Por isso, todos os esforços para as reforçar são fundamentais e todos os ataques a este tecido social constituem um erro crasso, quer porque não tendo nós uma sociedade civil forte, atacar o que temos é um disparate, quer porque damos um sinal errado, optando pela intervenção do Estado em vez de preferir o Terceiro Sector.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, os sinais mais recentes são preocupantes. Numa visão estratégica errada, as IPSS têm vindo a estar sob fogo cerrado. Ora é a ameaça aos ATL para crianças que durante anos estas instituições desenvolveram e que ficaram em risco pela iniciativa do Ministério da Educação ao “estatizar” a escola a tempo inteiro; ora é a ameaça da ASAE com a sua lógica insensata e a desadequada interpretação fundamentalista das leis comunitárias que cai em cima das IPSS; ora é o Ministério da Saúde que ignora o contributo que as Misericórdias poderiam dar para a resolução das listas de espera em Oftalmologia. São evidências excessivas, para considerar que se trata de coincidências. Há um ataque cerrado em curso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa forma se compreende como reacção que se assista ao agendamento de várias formas de protesto, entre as quais uma greve – inédita – nos ATL e uma manifestação em Lisboa. A sua causa merece todo o nosso apoio. Matar, ou colocar em risco sério, as IPSS constitui um erro político com danos efectivos para o País. É necessário inverter o caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-3060510199143170734?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/3060510199143170734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=3060510199143170734' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/3060510199143170734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/3060510199143170734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/06/fogo-cerrado.html' title='Fogo cerrado'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1700750388857023883</id><published>2008-06-14T16:36:00.001+01:00</published><updated>2008-06-14T16:36:34.472+01:00</updated><title type='text'>Natureza humana</title><content type='html'>Num tempo conturbado, atravessado por novas erupções do denominado “choque de civilizações”, onde se redesenha o mundo em função de previsíveis colisões de culturas e religiões, constitui um desafio regressar a outros passados, tão diferentes na forma, quanto iguais na essência. Terão os choques de civilizações no passado acontecido pelo conflito gerado pelas diferenças? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse olhar pela História, à procura de outros “choques de civilizações”, surge como momento referencial o chamado “século cristão do Japão”, especialmente no seu epílogo, já em pleno séc. XVII. Camões, sintetizava assim esse destino então abraçado: “É Japão onde nasce a prata fina / que será ilustrada com a Lei divina”. Na abertura aos “bárbaros do sul”, esses portugueses intrépidos da era dos Descobrimentos, o Japão feudal descobriu, acolheu e, finalmente, rejeitou violentamente uma ponte entre dois mundos quase opostos que, por décadas, se interligaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís de Fróis, na época, ilustrava sistematicamente 609 exemplos de diferenças – “nós usamos do preto por dó; e os japões do branco” -  no comportamento dos homens, das mulheres ou das crianças, das armas e da guerra, da arte e da alimentação, da religião e da literatura. Mais do que nos antípodas do globo, coloca a Europa e o Japão nos extremos opostos das tradições e dos costumes. E, no entanto, estas duas civilizações conviveram pacificamente ao longo de quase um século. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento crítico de tensão e de desencontro aconteceu quando se colocou a questão do poder. Quando os japoneses tiveram a notícia do que havia acontecido nas Filipinas, onde também tinham chegado os europeus. Aí, depois de uma primeira entrada pacífica pela religião e pelo comércio, os estrangeiros vieram a conquistar o poder, pela força, dominando os autóctones. Temendo que o mesmo lhes viesse a acontecer, os japoneses decidiram expulsar violentamente os portugueses e aquilo que eles representavam: o cristianismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, o que tem isto a ver com os nossos dias? É simples. Os nossos conflitos nascem porque somos todos iguais. Porque partilhamos sentimentos como a ambição, a conquista, o domínio, a glória, a transformação do outro em alguém igual a nós. É próprio da natureza humana. Por isso não nos deixemos iludir por discursos que colocam nas diferenças a razão de ser dos conflitos de civilizações. O problema é efectivamente... a semelhança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1700750388857023883?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1700750388857023883/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1700750388857023883' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1700750388857023883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1700750388857023883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/06/natureza-humana.html' title='Natureza humana'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-6648218355844408016</id><published>2008-06-14T16:34:00.000+01:00</published><updated>2008-06-14T16:35:41.469+01:00</updated><title type='text'>O nó górdio</title><content type='html'>A discussão em torno das alterações às relações laborais está na ordem do dia. As propostas avançadas pelo Governo e em debate na concertação social vão no bom caminho, mas não tocam ainda numa questão essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal enfrenta um enorme desafio de adequar a sua economia à dinâmica da competição global. Nessa dinâmica, se, por um lado, não deve abdicar de um Estado social e da protecção do emprego, também não pode ignorar que para sobreviver não pode manter a situação existente, repartida entre emprego eterno ou precariedade absoluta. Este é um nó górdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em grande medida, temos em Portugal uma situação extremada onde parte dos trabalhadores estão completamente vulneráveis, num precariedade total, seja através dos falsos recibos verdes, seja mesmo pelo trabalho clandestino, enquanto outra parte tem tais garantias que jamais poderá ser dispensado do seu emprego. Uns têm de menos o que outros têm de mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos precários, cuja revolta se começa a evidenciar, a inexistência de garantias mínimas, seja na doença ou no desemprego, bem como a total e permanente vulnerabilidade, torna a sua vida numa angústia permanente. O futuro fica suspenso e os direitos são uma miragem. Em relação aos outros, os “efectivos”, nem que caia “o Carmo e a Trindade” alguma coisa acontecerá. Ironicamente, ao mesmo tempo que se quer afirmar que o casamento não é eterno, tornando o divórcio fácil e acessível, aceita-se manter o princípio da eternidade de um contrato de trabalho. Dá que pensar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bem da solidariedade entre trabalhadores – para que os que têm de mais possam ceder algo aos que têm de menos - e da competitividade das nossas empresas, deveríamos estar disponíveis para alterar esta realidade, equilibrando direitos e deveres, segurança e risco. Deveríamos introduzir nas relações laborais, um combate simultâneo à precariedade e à rigidez no emprego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ganharíamos todos se ninguém estivesse isento de poder ser dispensado do seu emprego, com uma justa indemnização que poderia corresponder, por exemplo, a três ou quatro salários por cada ano de trabalho. Essa indemnização corresponderia a um “seguro de desemprego” que permitiria “respirar” enquanto se procura novo emprego. Em caso de insucesso recorrente no encontro de um novo emprego, então continuariam a funcionar os mecanismos de solidariedade social, através da intervenção do Estado social. Desta forma, convivendo com a possibilidade de dispensa com indemnização, os empregadores teriam muito menos hesitações na contratação e, naturalmente, existiria muito mais emprego formal. Por outro lado, para os trabalhadores, o quadro do um mercado de emprego dinâmico, com natural geração de mais oportunidades, constituiria sempre uma vantagem. Em simultâneo, haveria condições para que, desde o primeiro dia, todos os trabalhadores tivessem um contrato de trabalho sem termo certo, riscando do mapa os formatos de trabalho sem direitos sociais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-6648218355844408016?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/6648218355844408016/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=6648218355844408016' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6648218355844408016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6648218355844408016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/06/o-n-grdio.html' title='O nó górdio'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1549079776167588916</id><published>2008-05-06T17:18:00.001+01:00</published><updated>2008-05-06T17:18:36.683+01:00</updated><title type='text'>O serviço do Estado</title><content type='html'>Sucessivos governos têm agendado a questão da reforma do Estado e procurado - com elevado insucesso, diga-se - transformar aquele gigante em algo de sensato e funcional. Sendo uma batalha ciclópica, nunca vencida, a renovação da missão do Estado deve ocupar lugar cimeiro em qualquer proposta política. Mas que princípios devem orientar essa missão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde logo, é fundamental ter claro que a reforma do Estado não tem a ver com a simples reorganização dos seus serviços. Essa é a primeira tentação. Mas não leva longe. Na sua essência, esta reforma é, acima de tudo, cultural e de mentalidades. Sem começar por aí, toda a energia se dissipa sem resultado. Há que investir numa nova atitude de um Estado que só existe para servir o cidadão e a comunidade. A sua legitimidade decorre directamente dessa natureza. É fundamental recuperar a centralidade do conceito de “serviço” na acção do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdadeira reforma passa pois, por transformar cada agente do Estado num verdadeiro servidor da causa pública e dos seus concidadãos. Por isso, na sua interface com o cidadão, o Estado e os seus agentes devem organizar-se em função das necessidades da comunidade e das pessoas. De uma forma clara, há que assumir, por exemplo, que o Sistema Nacional de Saúde só existe para servir doentes, ou as Escolas para formarem estudantes, ou as repartições públicas para resolverem problemas de todos nós. Esta cultura de centragem do Estado no cidadão é um enorme desafio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos mecanismos mais úteis para esse desígnio passa pela permanente avaliação da qualidade dos serviços públicos, na óptica do cidadão-cliente. Para a concretização desse objectivo, deveria ser obrigatório após cada atendimento, o cidadão deixar a sua avaliação e esta ter consequências. Uma utilização muito mais regular dos Livros Amarelos, das caixas de sugestões e dos estudos qualitativos sobre a opinião dos utentes poderiam ser instrumentos que corporizassem esse objectivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também seria um grande avanço, cada serviço público ter um Provedor do utente, permanentemente disponível para ouvir as críticas e agir em conformidade, na transformação dos procedimentos desse serviço em função de um melhor atendimento e de uma mais eficaz resolução de problemas. Esse investimento, já realizado em algumas instituições, representaria um ganho significativo não só na qualidade do serviço, mas também no combate ao desperdício de recursos – como a perda de tempo – tornando mais eficiente todo o sistema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra medida convergente passaria pela inclusão obrigatória, no plano de actividades e no orçamento de cada serviço público, de uma linha de acção e respectivos meios financeiros, para melhoria da qualidade dos serviços prestados. A medida da relevância de uma prioridade vê-se, normalmente, nos meios que lhe são atribuídos. E é para este objectivo que devem, em primeiro lugar, ser direccionados os recursos existentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1549079776167588916?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1549079776167588916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1549079776167588916' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1549079776167588916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1549079776167588916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/05/o-servio-do-estado.html' title='O serviço do Estado'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-3632478913580623636</id><published>2008-05-06T17:17:00.000+01:00</published><updated>2008-05-06T17:18:06.842+01:00</updated><title type='text'>Melhor Democracia</title><content type='html'>No final desta semana teremos, uma vez mais, a comemoração do Dia da Liberdade, trinta e quatro anos depois da instauração de um regime democrático em Portugal. A efeméride deve constituir uma oportunidade para reflectirmos sobre a qualidade da nossa democracia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente dos avanços obtidos ao longo destes trinta anos, a democracia portuguesa vive hoje um tempo de crise que deve ser visto, sobretudo, como um desafio ao seu aperfeiçoamento e fortalecimento. De entre as suas várias dimensões poderemos identificar dois eixos prioritários: a recuperação do interesse dos cidadãos pela política e a dignificação da actividade política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos, primeiro que tudo, de inverter o desinteresse e a desconfiança evidenciados pelos cidadãos face à política, com o consequente afastamento da vida democrática. Desde logo, necessitamos de uma democracia mais participativa, onde os cidadãos se sintam com espaço, poder e voz activa, para além do voto de quatro em quatro anos. Isso pode começar, por exemplo, pelo maior poder na decisão do destino dos impostos, aumentando a parcela decidida por cada contribuinte. Outra aposta pode passar pela abertura à iniciativa legislativa de cidadãos, em condições mais acessíveis que as actuais. Por outro lado ainda, é necessário afirmar que mais do que um direito, há um dever de participação política, que deve começar pela redução da abstenção, devendo mesmo ser ponderado o voto obrigatório. Poderíamos ainda acrescentar a importância de um modelo de educação para a cidadania, que no sistema educativo pudesse contribuir para uma consciencialização da relevância da cidadania política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não podemos ignorar que o fortalecimento da democracia passa também por algumas alterações na actividade política. Em Portugal, foram apenas 7% os inquiridos que afirmaram ter confiança nos políticos, contra 10% na Europa. É a actividade mais desconsiderada entre todas as estudadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que poderia ser feito para alterar este cenário? Para começar, um passo essencial passa por abandonarmos o preconceito e os estereótipos face aos políticos. Se é verdade que existem maus exemplos – como em todos os sectores – muitos são um bom exemplo no serviço à causa pública. Há que ser justo e não se deixar conduzir por um populismo bacoco. Mas só esse gesto de boa vontade não chega. Os políticos devem mostrar inequivocamente a sua vocação de serviço ao bem comum, independentemente dos jogos de poder. Para isso ajuda a recusa do modelo de “políticos profissionais”, em benefício do exercício de cargos políticos em regime de “comissão de serviço”, por um tempo limitado. Por outro lado, as remunerações dos políticos deveriam ser exactamente iguais às que tinham antes do exercício de funções políticas, tornando o factor salário irrelevante para a decisão de serviço á comunidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democracia pode ser melhor. Se quer ter futuro, precisa mesmo de ser melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-3632478913580623636?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/3632478913580623636/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=3632478913580623636' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/3632478913580623636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/3632478913580623636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/05/melhor-democracia.html' title='Melhor Democracia'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5769972343372287141</id><published>2008-05-06T17:07:00.001+01:00</published><updated>2008-05-06T17:07:53.861+01:00</updated><title type='text'>Inevitável</title><content type='html'>Ao fim de meses e meses de conflito aberto e de hostilidade acesa, o Ministério da Educação e os sindicatos dos professores chegaram a acordo – pelo menos, aparente - quanto ao processo de avaliação. A arrogância e o radicalismo, de uma parte e de outra, tiveram que dar lugar à negociação e ao entendimento, pois este é sempre o único caminho que permite desbloquear estas situações. Era, pois, inevitável que assim acontecesse, sendo só uma questão de tempo e de protagonistas. Sobretudo depois da grande manifestação dos professores, tornou-se evidente que o Ministério da Educação tinha que rever a sua posição. Por outro lado, a sustentabilidade da luta dos professores exigia aos sindicatos que alguma vitória fosse alcançada. E se a demissão da equipa da Educação foi ficando fora de alcance, um acordo que desse vencimento a algumas das teses dos sindicatos poderia ser a saída airosa. E assim parece ter sido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena é que se tivesse demorado uma eternidade e que, pelo meio, se tenham deixado um conjunto de feridas que demorarão muito a ser esquecidas e que podem mesmo vir a pôr em causa este acordo alcançado. Não teria sido possível – e desejável – ter chegado a acordo há alguns meses atrás, sem danos colaterais e com tempo poupado? Não podia o Ministério ter começado por aqui? Não era preferível ter chegado a este momento de consenso pelo seu próprio pé, em vez de ser arrastado pelos acontecimentos? A resposta parece óbvia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este episódio revela, de uma forma clara, como nos nossos dias só é possível avançar através da construção de pontes e da geração de consensos. Apesar de muitos criticarem esta via do diálogo, associando-lhe um estigma de fraqueza, de indefinição e de falta de convicções, é a única opção que permite, numa sociedade democrática, consolidar reformas. Dito de outra forma, não chega ter o poder de uma maioria absoluta. Aquele pode ser necessário mas não é suficiente. A legitimidade democrática que o voto popular concede não resolve tudo. A ela deve somar-se uma capacidade de gerar consensos, de mobilizar os protagonistas relevantes e de chegar a soluções sustentáveis que se enraízam profundamente na sociedade e não são levadas pela primeira ventania. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mundo plural e fragmentado, que não obedece por decreto, nem funciona por automatismo, é necessário ter a lucidez de procurar construir pontes. De a todos fazer participar na construção das soluções para os problemas que enfrentamos. Ainda que demore mais e que se avance por pequenos passos, só assim se darão passos seguros. Só com o cimento das vitórias comuns, as soluções ganharão a consistência de betão. E só adquiriremos um nível elevado de co-responsabilidade, quando todos nos sentirmos parte da solução e responsáveis pelos resultados. E isso só se alcança dialogando. É inevitável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5769972343372287141?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5769972343372287141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5769972343372287141' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5769972343372287141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5769972343372287141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/05/inevitvel.html' title='Inevitável'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-2753877343461737113</id><published>2008-05-06T17:05:00.000+01:00</published><updated>2008-05-06T17:07:15.846+01:00</updated><title type='text'>Deixar para trás</title><content type='html'>Sou de uma geração que já não viveu a Guerra colonial. Não tenho, por um lado, experiências traumáticas de familiares que por terras de África tivessem perecido nem, por outro lado, à minha volta se viveram radicalismos ideológicos de qualquer cor, na discussão sobre as razões de ser desse tempo. Talvez por isso, benefício – creio - de alguma distância crítica em relação ao tema dos ex-combatentes e, porventura, um olhar desapaixonado que permite maior objectividade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que se vê, desse posto de observação? Acima de tudo, descobre-se esquecimento que é das formas mais duras da injustiça. Emerge, então, uma sensação de desconforto pela forma como, enquanto comunidade e País, nos portámos em relação a estes homens. Chega mesmo a tocar a vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos dos ex-combatentes e suas famílias pagam ainda hoje uma factura muito elevada, no corpo e na mente, em consequência dessa experiência difícil. Os fantasmas da guerra não os deixam descansar. E enquanto sofrem o peso dessa herança, não sentem dos seus compatriotas e do Estado que serviram, um reconhecimento suficientemente condigno, sem aproveitamento ideológico, com o respeito que merecem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E onde radica parte dessa falta de respeito? Em grande medida, na confusão lamentável entre o julgamento ideológico de um regime político e a condenação ao esquecimento dos que, sem dolo, serviram debaixo de uma bandeira. Não há erro maior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem combateu nas ex-colónias portuguesas - na sua esmagadora maioria - não o fez de livre vontade. À alternativa da deserção, muitos entenderam dizer não, por considerarem ser uma traição aos seus. Outros, mais prosaicamente, não conseguiram partir para o exílio a tempo. Restou-lhes então receber a guia de marcha e partir para o mato, passando a experimentar “aquele inferno de matar ou morrer”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que combateram nas guerras coloniais, fizeram-no ao serviço do seu País, com maior ou menor convicção, executando uma política da qual não eram autores nem co-responsáveis. Não será necessário recordar que não vivíamos em democracia e a formulação da decisão política não resultava da voz do povo. Salvo eventuais autores de crimes de guerra, cometidos nesses anos, e que mereceriam o julgamento que a própria disciplina militar prevê, os ex-combatentes são, acima de tudo, cidadãos portugueses que obedeceram, com risco de vida, a um desígnio político do regime vigente. Foram servidores do País e assim devem ser tratados. Sem subterfúgios, nem equívocos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gesto de reconhecimento aos ex-combatentes, não equivale, como alguns gostariam, a branquear os erros do regime anterior, a apelar a um saudosismo bacoco ou a ir mais longe para territórios racistas e neo-colonialistas. Nada disso. Trata-se somente de não abandonar os nossos homens, sobretudo depois do combate. De não os deixar desaparecer na névoa do esquecimento. Um povo digno não os deixaria para trás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-2753877343461737113?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/2753877343461737113/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=2753877343461737113' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2753877343461737113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2753877343461737113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/05/deixar-para-trs.html' title='Deixar para trás'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-134543514962069544</id><published>2008-04-07T15:22:00.001+01:00</published><updated>2008-04-07T15:22:45.023+01:00</updated><title type='text'>O erro do IVA</title><content type='html'>No final da semana passada, o Governo anunciou a redução do IVA em um ponto percentual. Deixando de lado, por agora, a crítica da eventual inspiração decorrente do calendário eleitoral, que os portugueses saberão julgar, importa reflectir sobre a bondade da decisão. Ancorada esta decisão no facto de se terem cumprido os objectivos para 2007 do controle do défice – facto que nunca é de mais saudar – evidencia, porém, uma visão errada de prioridades e, sobretudo, uma fraca sensibilidade social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos por aqui. A redução do IVA, beneficia o consumo, com particular impacto para quem consome mais. As famílias pobres, porque consomem pouco, em praticamente nada sentirão o benefício desta redução de imposto. Ao invés, famílias de maiores recursos financeiros e com níveis mais elevados de consumo verão mais os efeitos deste benefício. Por isso, a nosso ver, esta opção é injusta porque não indexa os benefícios da redução de impostos à maior necessidade dos mais vulneráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Portugal tem hoje condições para reduzir a enorme pressão de impostos que tem sido colocada sobre os contribuintes – e ainda bem que tem – deveria aproveitar essa folga para repor mais justiça social. Para reequilibrar o enorme fosso que se tem agravado entre mais ricos e mais pobres e que é o maior de toda a Europa. Ou seja, deveria usar os supostos 500 milhões de Euros da receita anual do IVA, correspondentes a um ponto percentual, que o Governo entendeu serem dispensáveis, para apoiar os que sentiram a maior factura da crise. Seria mais um esforço que todos faríamos, como fizemos para a redução do défice, mas agora com um sentido solidário muito mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esse valor, o Governo poderia duplicar o Complemento Solidário para os Idosos e apoiar mais 60.000 idosos pobres, para quem este apoio financeiro quer dizer imenso. Poderia duplicar o investimento no apoio a crianças e jovens em risco, quer dotando as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, de recursos mais significativos para poderem efectivamente cumprir as suas missões, quer acelerando a construção de equipamentos, para proporcionar educação pré-escolar nos contextos mais vulneráveis, a todas as crianças a partir dos 3 anos, ou ainda aumentar a majoração do abono de família para famílias numerosas. Poderia ainda dar um impulso decisivo para acabar com as barracas, apoiando as famílias mais pobres a encontrarem uma solução de habitação condigna. Ou poderia ainda rever os escalões do IRS, beneficiando os contribuintes com menores rendimentos. Mas não foi este o caminho escolhido. E foi pena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os últimos anos, foram tempos difíceis para os portugueses. Por isso, as dificuldades sentidas por quase dois milhões de portugueses, abaixo do limiar da pobreza, deveriam constituir a primeira prioridade do Estado, na sua função de redistribuição da riqueza, de promoção da justiça social e de maior justiça fiscal. Não podemos deixar para amanhã o que temos para fazer hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-134543514962069544?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/134543514962069544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=134543514962069544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/134543514962069544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/134543514962069544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/04/o-erro-do-iva.html' title='O erro do IVA'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1181849718487280107</id><published>2008-04-07T15:21:00.000+01:00</published><updated>2008-04-07T15:22:11.972+01:00</updated><title type='text'>Um desígnio para Portugal</title><content type='html'>Sucessivamente, ao longo dos tempos, procurámos um desígnio para Portugal. Algo que fizesse sentido e nos mobilizasse para andar para a frente. Nas décadas anteriores, tivemos a consolidação da democracia, a adesão à CEE e a entrada no Euro que nos obrigaram a lutar por objectivos concretos. Todos eles foram alcançados, na generalidade, ainda que de uma forma imperfeita e deixando ainda desafios para concretizar. E, agora, que desígnio para Portugal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal precisa de Ser. Ser melhor. Ser coeso. Ser global. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Povo deve, antes de tudo, Ser. Ser portador de uma identidade forte que se consolida ao longo dos séculos e de um código genético que ganha densidade com o tempo. Que se reconhece – com orgulho - como original e que recusa imitações baratas. Para Portugal ser, é fundamental que os portugueses não tenham vergonha de si próprios, nem vivam permanentemente a desfazer-se. Para Portugal ser, é necessário cuidar da memória, para construir um futuro com carácter. Para Portugal ser, é urgente valorizar a Língua e proteger o Território. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não chega ser. Isso é só o princípio. Há que Ser melhor. Sempre. Em tudo e envolvendo todos. Um enorme desígnio para os portugueses é cultivar o aperfeiçoamento em cada gesto. Porque tudo o que vale a pena ser feito, vale a pena ser perfeito. Como um atleta que vai melhorando as suas marcas, um futebolista que vai afinando a execução dos livres, ou um músico que ensaia sem cessar para aperfeiçoar a sua técnica. Precisamos de ser melhores, nas pequenas e grandes coisas. Como uma obsessão. Sempre melhor, com um passo cada dia. Cada um de nós, pode definir em quê, como e para quê. Se fosse possível que cada português integrasse esta ambição na sua agenda, o País daria um salto extraordinário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra face do novo desígnio para Portugal é Ser coeso. Como comunidade, devemos avançar sem perder ninguém, nem deixar ninguém de fora. Há que reduzir o fosso entre mais ricos e os mais pobres, numa sociedade mais justa e, por isso, mais coesa. Precisamos de cultivar os laços que nos unem. De aumentar o nosso capital social, de ter mais confiança nos outros e no País. Antes de procurarmos o que nos separa, precisamos de construir a partir do que nos une. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, Ser global. Somo um povo, no dizer de Vieira, a quem Deus deu Portugal para nascer e o mundo para morrer. Precisamos de redescobrir os caminhos do mundo. Sentirmo-nos bem nas arenas internacionais. Sermos capazes de dialogar com desconhecidos, de nos radicarmos em qualquer parte do planeta, de nos tornarmos próximos. Precisamos saber comerciar com eficácia e aprender, além fronteiras, com dedicação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para mais de oito séculos de sucessos e insucessos, tantas vezes capaz de ir à Índia, mas por vezes incapaz de chegar a Cacilhas, importa a todos mobilizar, sem excepção, para as novas Índias e para as Cacilhas de sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1181849718487280107?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1181849718487280107/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1181849718487280107' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1181849718487280107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1181849718487280107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/04/um-desgnio-para-portugal.html' title='Um desígnio para Portugal'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5026099039304702350</id><published>2008-03-23T12:06:00.001Z</published><updated>2008-03-23T12:06:20.648Z</updated><title type='text'>Sacrifício</title><content type='html'>Poucos conceitos estarão tão fora de moda como o sacrifício. Imersos num tempo onde a regra é o prazer e a medida, a remuneração imediata, falar de qualquer grama de sacrifício parece um disparate. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As últimas décadas para Portugal, apesar das dificuldades ainda existentes, foram um tempo de grande crescimento económico, em que faixas crescentes da nossa população ascenderam a um nível de vida que não tinham. Afastamo-nos do tempo de escassez e progressivamente abrimos as portas à abundância. E num gesto generoso de facilitar aos nossos filhos uma vida melhor que a dos nossos antepassados, fomos alisando o caminho. O efeito perverso foi a criação de uma “geração bife do lombo”, no dizer de alguém. Poucos habituados à adversidade e à secura, mais talhados para a facilidade das planícies do que para a escalada de montanhas, muitos de nós damo-nos mal com a dureza da vida. Parece que nos esquecemos que “Deus dá as nozes, mas não as parte”. Sofremos com tempos de seca em que é preciso viver sem a frescura das águas correntes. Falta-nos o músculo que se adquire com o esforço e com o sacrifício. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no nosso íntimo, todos sabemos que a vida é feita, antes de tudo, de esforço e de trabalho. Ainda que nos vendam uma qualquer outra miragem, acabamos sempre por nos confrontar com essa realidade. Ninguém, que seja honesto, colhe antes do esforço de semear. O sabor da vitória vem depois do suor do trabalho. Ora, o problema é que na nossa sociedade instantânea, feita de já e de agora, não temos paciência para esperar. Ou queremos mesmo fruto sem esforço.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há ainda uma outra dimensão do sacrifício que importa cultivar: a dádiva gratuita e sem retorno, no silêncio dos gestos discretos. A capacidade de dar um sentido não instrumental a um gesto de solidariedade, oferecendo-lhe a dignidade e o alcance que vai para além das medições mais banais. O ter menos - “tempo” ou “dinheiro” -  para que alguém tenha um pouco mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho tido a sorte de me cruzar com pessoas que são excelentes exemplos desta forma de sacrifício que, neste caso, tem outro significado. Já não se trata de uma definição comum de sacrifício enquanto esforço, enquanto remuneração diferida no tempo, mas sim da definição mais profunda de sacrifício enquanto “dádiva de algo que se torna sagrado”. Aquelas dádivas tornam-se sagradas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste semana tão importante para os cristãos, vale a pena partilhar este sentido do Sacrifício, de tornar sagrada uma dádiva. De se descentrar de si, por algo ou por alguém. De fazer o verdadeiro sacrifício como Aquele que morreu na Cruz há 2000 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5026099039304702350?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5026099039304702350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5026099039304702350' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5026099039304702350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5026099039304702350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/03/sacrifcio.html' title='Sacrifício'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-7404025579734077702</id><published>2008-03-23T12:05:00.001Z</published><updated>2008-03-23T12:05:45.343Z</updated><title type='text'>D. Estefânia</title><content type='html'>Nos últimos seis meses, por duas vezes, fui à Urgência do Hospital D. Estefânia, em Lisboa, com as minhas filhas. E que encontrei? Um caos? Uma vergonha? Ora, importa relatar o que encontrei. Num País habituado a reparar sempre no que corre mal, no caso marcado pela incompetência, desleixo e falta de empenho, é essencial contar a experiência que vivi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas duas vezes – estatisticamente relevante, para além da sorte ou do acaso - vi um serviço de Urgência a trabalhar com enorme qualidade e competência. Com organização e método, simpatia e dedicação, toda a equipa com que me cruzei, desde o pessoal administrativo, às médicas e enfermeiras, parecia sintonizado num padrão de qualidade que o nosso olhar pessimista não esperaria num Hospital português. A realidade é muito melhor que a nossa expectativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não beneficiarem de um espaço moderno e confortável, pois o Hospital acusa já o peso da idade, aqueles profissionais dão o seu melhor, no contexto que têm. Por exemplo, nalguns gabinetes médicos, são obrigados a atenderem dois doentes em simultâneo. Mas até isso reflecte uma atitude centrada no utente, visando reduzir os tempos de espera, em desfavor do seu conforto do ambiente de trabalho. Nos pequenos detalhes também marcam pontos. A pensar nos utentes, as indicações nas paredes, com cores, orientam-nos até cada serviço e nas salas de espera da radiologia ou do laboratório de análises, as pinturas infantis aliviam a tensão de estar num hospital. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis trazer esta experiência de utente da urgência do D. Estefânia para sinalizar vários traços que deveriam ser inspiradores para enfrentarmos os desafios que temos pela frente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro traço é elementar, mas sistematicamente maltratado: Nós somos capazes. Simplesmente isso. Somos capazes. De nos organizarmos, de sermos acolhedores nos serviços públicos, de nos centrarmos no utentes, de imaginar soluções para além do estabelecido. Os portugueses são tão competentes como os melhores. Na administração pública, como nas IPSS, ou nas empresas. Somos capazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo traço passa por afirmar que podemos sempre fazer melhor com o que temos. Se temos um limão, façamos uma limonada, mas façamos. Não nos queixemos de não ter laranjas, para fazer laranjada. Mesmo dos recursos mais escassos é possível tirar mais valias e não ficar à espera das condições extraordinárias para fazer sempre melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceira ideia: Todos somos importantes. Do segurança, ao funcionário administrativo, à médica, à senhora da limpeza... o sucesso das organizações depende de todas as suas parcelas cumprirem o seu papel. Ninguém está dispensado de fazer a sua parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, todos nós precisamos de reeducar o nosso olhar. Precisamos de desocultar a realidade e ver o muito de bom que temos. Só assim ganharemos força para os desafios que nos faltam vencer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-7404025579734077702?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/7404025579734077702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=7404025579734077702' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7404025579734077702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7404025579734077702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/03/d-estefnia.html' title='D. Estefânia'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-4737194718573769725</id><published>2008-03-23T12:04:00.000Z</published><updated>2008-03-23T12:05:08.347Z</updated><title type='text'>O Império do hoje</title><content type='html'>Vivemos enclausurados no presente. É como se não tivéssemos passado, nem futuro. Sob a ditadura do instantâneo, debaixo da imposição da velocidade e limitados pelos ciclos curtos, vivemos já e agora. Depois logo se vê.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são as consequências deste desígnio de vida? Onde nos leva esta “absolutização” do presente? Que sentido profundo para quem só conhece o imediato?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde logo, uma sociedade assim ignora os mais velhos. Coloca-os à margem e dispensa a sua memória. Acha-os um empecilho porque lhe lembra o passado desinteressante e deprecia-os porque são pouco produtivos na lógica do hoje. Atribui-lhes gavetas douradas, onde não devem incomodar. Permite-lhes que durem, mas não que existam verdadeiramente. Ficam pois impedidos de ser cidadãos plenos, e de nos trazer essa preciosa memória do passado, que nos ajudaria a entender o presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom não esquecer que quem ignora o passado, não aprende. Perde a densidade da experiência, a sabedoria que a tradição dos séculos nos traz. Ao cortar com o ciclo das gerações, que vão passando de mão em mão o testemunho da humanidade, dissipa-se o valor acrescentado da civilização. Esquece-se a natureza humana e ignora-se, por um lado, as suas fragilidades e, por outro, as suas potencialidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de cultivar a memória do passado, sem saudosismos, nem alienações. E, para isso, necessitamos de recriar uma cidadania sénior, através da qual os mais velhos se sintam também construtores do presente. Com dignidade e valor acrescentado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há um outro lado da moeda deste império. Quem vive para o hoje, também ignora o amanhã. Não poupa, nem planta. Só desfruta. Desresponsabiliza-se da preservação dos recursos naturais e deixa o planeta aquecer. Demite-se de transmitir valores e tradições aos que nos sucedem, no pressuposto de não vale a pena. Não tem paciência, nem persistência. Não é capaz de diferir remunerações, nem de as emprestar ao futuro. Quer tudo para si e já. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente, apesar de um discurso e de uma aparente prática de valorização das crianças e dos jovens, os escravos do hoje não são verdadeiramente solidários com as novas gerações. Se o fossem, agiriam diferentemente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, por isso, perante nós um enorme desafio de cultivar a solidariedade intergeracional. De reforçar uma cadeia, onde tudo se liga e na qual somos responsáveis não só pela gestão do presente, mas também por continuar o passado e viabilizar o futuro. A História não começou connosco, nem tão pouco irá acabar connosco. Por isso o império do hoje é mais uma armadilha a evitar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-4737194718573769725?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/4737194718573769725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=4737194718573769725' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4737194718573769725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4737194718573769725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/03/o-imprio-do-hoje.html' title='O Império do hoje'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1553185964535872941</id><published>2008-03-23T12:03:00.000Z</published><updated>2008-03-23T12:04:21.479Z</updated><title type='text'>Poder Escolher</title><content type='html'>Saiu na passada segunda-feira um relatório da União Europeia sobre o risco de pobreza infantil que gerou justificadas preocupações. Ainda que se refira a dados de 2005 e que desde aí se tenham registado alguns progressos, o documento aponta para 24% de crianças expostas ao risco de pobreza. É um murro no estômago. Com agregados familiares marcados pelo desemprego e pela baixa escolaridade dos pais, muitas destas crianças parecem ter o destino traçado à nascença. A probabilidade de virem a perpetuar o ciclo da pobreza, dispondo de um (quase) grau zero de liberdade para uma vida diferente, é muito elevado. E a maior pobreza é nascer prisioneiro de uma sina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se algo caracteriza o melhor da natureza humana é a sua ânsia de liberdade e a sede de auto-determinação. Com efeito, o Homem nasceu para ser livre. Ao vivermos permanentemente em contexto de escolhas, é a capacidade de as fazer livre e responsavelmente que nos torna, em grande medida, senhores do nosso destino e, por isso, seres livres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que, para aquelas crianças, as escolhas são reduzidas e predominantemente más. Por outro lado, não dispõem, muitas vezes, dos instrumentos necessários para fazer as escolhas certas. Ou ainda, estão marcados pelo círculo vicioso de escolhas erradas que outros já fizeram e das quais herdam uma pesada factura. É então que se abrem a portas a diferentes escravidões que matam a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, demasiadas crianças e inúmeros jovens vivem em contextos que lhes limitam as escolhas presentes e determinam prisões futuras: as crianças que vivem “fechadas na rua”; os que têm as suas famílias desestruturadas; as que vivem embebidas em violência; os que ficam fora da Escola cedo demais; as que nunca poderão começar a corrida em igualdade de circunstâncias... Que podem escolher estas crianças e jovens? Têm escolha possível? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sublinhe-se, no entanto, que é para muitas destas crianças que vários protagonistas – Escolas, IPSS, Programa Escolhas, Programa Eliminação do Trabalho infantil... – vão dando o seu melhor, em prol da inclusão social e da construção de uma vida diferente. Nas suas múltiplas actividades, técnicos e instituições procuram aumentar os seus graus de liberdade, ajudando a alargar as escolhas possíveis. E é bom termos consciência que muito já se andou e melhorou, apesar dos imensos desafios que ainda temos pela frente. Mas há que continuar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos a estas crianças um futuro onde esteja ao seu alcance a possibilidade de escapar à pobreza onde nasceram. Só então, o seu futuro estará nas suas mãos e por ele serão responsáveis. Mas, antes...temos nós que cumprir a nossa responsabilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1553185964535872941?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1553185964535872941/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1553185964535872941' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1553185964535872941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1553185964535872941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/03/poder-escolher.html' title='Poder Escolher'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5329006557161008754</id><published>2008-02-20T23:31:00.001Z</published><updated>2008-02-20T23:31:35.511Z</updated><title type='text'>Dilema no Kosovo</title><content type='html'>Que bom seria se nos momentos de decisão na vida tudo fosse preto ou branco. Que o mal se separasse do bem por uma linha visível e clara, onde não fosse difícil perceber as fronteiras nem muito menos que lado escolher. Mas não é assim. Na maioria das vezes ficamos perante dilemas de escolha difícil em que há, frequentemente, que escolher entre dois bens ou entre dois males. Acresce que a fronteira não surge como uma linha clara mas um espaço difuso. Ter clarividência suficiente para saber gerir os dilemas e escolher bem é, na política como na vida, um desafio sempre presente. Só que não é nada fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem isto a propósito da recente declaração unilateral de independência da província sérvia do Kosovo. De um lado, o inquestionável direito dos povos à autodeterminação, expresso claramente na Carta das Nações Unidas e que no caso do Kosovo teve na declaração de domingo passado um apoio esmagador no seu parlamento. Parece não haver dúvidas de que a maioria dos kosovares quer ser independente. Mas, por outro lado, há a instabilidade que irá ser criada numa zona já por si efervescente, a oposição determinada da Sérvia, fortemente apoiada pela Rússia, e os ressentimentos que se gerarão. Esse passivo faz evidenciar um preço altíssimo a pagar por esta decisão – pelos kosovares mas também pelos seus vizinhos e, eventualmente, por nós todos – de tal forma que se questiona se faria sentido avançar já para a independência do Kosovo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, portanto, um dilema clássico entre dois bens: a autodeterminação de um povo e a estabilidade de uma região e mesmo de um continente. Como escolher o lado em que se quer estar? Provavelmente, a resposta certa está em não escolher – simplisticamente – um dos lados mas tentar fazer a ponte. Em vez de ser uma coisa ou outra, obter uma coisa e outra. Será possível? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande desafio na gestão de dilemas é conseguir ser fiel aos princípios mas estar aberto a uma negociação e a um gradualismo que nos faça evitar rupturas e choques. Estes podem destruir a bondade e a justiça de um princípio. Assim, esgotar todos os recursos negociais, usando e abusando da imaginação para a construção de soluções para vitórias comuns, é o caminho certo. Com paciência, muita paciência. Só assim se conseguirá ir mais longe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso concreto do Kosovo, creio que não se esgotaram todas as possibilidades negociais para tentar uma solução concertada entre todas as partes. A aspiração frenética – compreensível – pela independência por parte dos kosovares parece ter feito ‘curto-circuitar’ um caminho negocial. Dirão alguns que jamais seria possível um acordo com os sérvios. Talvez, mas nunca o saberemos. O que temos, para já, é uma situação explosiva para gerir, com uma crescente tensão entre os apoiantes de um lado e outro. Russos e americanos, com os seus aliados europeus, vão esgrimir na arena internacional os seus argumentos pró e contra a independência do Kosovo. A paz vai ter que esperar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5329006557161008754?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5329006557161008754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5329006557161008754' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5329006557161008754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5329006557161008754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/02/dilema-no-kosovo.html' title='Dilema no Kosovo'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-4059236815747696889</id><published>2008-02-20T23:29:00.001Z</published><updated>2008-02-20T23:29:54.747Z</updated><title type='text'>O Centro da Educação</title><content type='html'>Aparentemente, o sistema escolar desenvolveu um modelo de reflexão, planeamento e intervenção onde o Estudante – suposto centro da acção educativa, num modelo de desenvolvimento humanista – parece ser, algumas vezes, uma simples peça do processo, quase desconhecida e por isso incompreendida. Tomando-o como uma massa ainda por moldar, igual e inespecífica, o sistema, ainda que sem dolo nem sequer consciência, menospreza-o. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consequentemente, as evidentes boas intenções dos objectivos, conteúdos e dos processos educativos esbarram num abismo para o qual não se construiu atempadamente pontes. Este abismo torna-se cada vez mais fundo, com a velocidade da mudança dos nossos tempos. Cada dia que passa a outra margem está mais longe. A velocidade da mudança, que contribui para que as gerações que convivem na Escola (professores e estudantes) se tornem mais distantes, aconselha a recuperar para o centro da discussão a prioridade ao (re)conhecimento sistemático do centro e razão de ser da Educação: os estudantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente que não nos deixemos manietar pelos interesses (muitos deles, legítimos) do que permanece no sistema – docentes, programas, procedimentos, estrutura do Ministério – e que, por isso, têm uma capacidade de pressão mais sensível. É necessário evitar ser-se submerso por uma imensidão de problemas laterais que tendem a perturbar a clarividência sobre o centro da Educação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que este não é um problema exclusivo da Escola. Outros importantes intervenientes no processo educativo sofrem de limitações equivalentes. Apesar dos esforços evidentes de aproximação geracional são muitos os pais que não partilham de um código que lhes permita compreender e interagir com os filhos. Mas, apesar disso, a Família parece estar a gerir melhor este objectivo de compreensão e comunicação com os filhos do que a Escola com os seus estudantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste contexto parece evidente que, se assumirmos os alunos como o centro da Educação, se torna tão necessário conhecê-los e compreendê-los quanto definir os conteúdos e os processos educativos, pois não há eficácia educativa sem um justo equilíbrio da atenção a estas duas dimensões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que este conhecimento não se limita só a uma abordagem – aliás essencial – da Psicologia da Infância ou da Adolescência, nem, muito menos, a um simples estudo mais aprofundado da Pedagogia. É fundamental estar atento a traços mais subtis e voláteis: as tendências e as modas, os ídolos e as referências, o vocabulário e os códigos não escritos, os programas de televisão e os jogos de computador, a música e as causas deveriam ser suficientemente conhecidas para que a Educação seja eficaz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desafio é grande. Mas se a resposta não for esta, arriscamo-nos à total ineficácia do esforço educativo do nosso sistema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-4059236815747696889?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/4059236815747696889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=4059236815747696889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4059236815747696889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4059236815747696889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/02/o-centro-da-educao.html' title='O Centro da Educação'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5858590561987696942</id><published>2008-02-20T23:27:00.001Z</published><updated>2008-02-20T23:29:00.358Z</updated><title type='text'>Esperanças de Portugal</title><content type='html'>Comemora-se hoje os 400 do nascimento do Padre António Vieira, um dos grandes de Portugal. Do muito que se poderia dizer nesta ocasião, ilumina-se uma das ideias mais incompreendidas – e ridicularizadas – do pregador: o V Império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em 1608, em Lisboa, Vieira conhece a sua Pátria num contexto de profunda crise. Com o desastre de Alcácer Quibir, onde em 1578 morrera o rei D. Sebastião, Portugal ficara sem descendentes e vulnerável à anexação por Espanha, que acaba por acontecer em 1580. Entre mortes e resgates, o País fica destroçado e, longe dos tempos de euforia dos Descobrimentos, entra no seu período mais negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos depois, a resistência à anexação vai começando a ganhar forma mas eram grandes os obstáculos à concretização do desígnio da Restauração. A depressão pós-Alcácer Quibir e a força dos ocupantes tornam-na quase impossível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, em 1640, acontece a Restauração da Independência, é natural que muitos lhe atribuam contornos de milagre. Mas a profunda crise que Portugal vivia à época não se poderia resolver de um dia para outro. A independência reconquistada necessitava de ser consolidada todos os dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;António Vieira, que ruma à metrópole em 1641, liderando uma delegação da província do Brasil que vem reconhecer o novo monarca, percepciona esse novo desafio e assume essa missão, em diferentes roupagens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este novo combate, fê-lo o jesuíta com todo o empenho, nomeadamente no púlpito e na pena, procurando construir um capital simbólico de esperança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui estará, provavelmente, a raiz das obras – ‘Esperanças de Portugal’, ‘Quinto Império do Mundo’, ‘História do Futuro’ e ‘Chave dos Profetas’ – que, duas décadas mais tarde, vão dar corpo ao mito do V Império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se considerado no essencial da sua mensagem e se focado na sua principal motivação mobilizadora de uma nação em perigo, o mito do V Império de António Vieira faz falta ao Portugal contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no seu tempo, Portugal precisa de se ultrapassar e reencontrar o seu destino no Mundo. Como na sua época, o desafio do multiculturalismo, da defesa da diversidade, do diálogo entre crentes e não crentes, bem como a promoção da dignidade humana são temas em agenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sobretudo, em tempos de crise, onde a nação se inquieta, urge afirmar que há futuro. Que Portugal pode ser capaz, como já o foi, de mais e melhor. É fundamental actualizar as ‘Esperanças de Portugal’. E se o V Império, tal como o sonhou Vieira, está datado, o essencial da sua função – construir a esperança, criar confiança e oferecer um desígnio nacional – continua actual e necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltam Vieiras que o digam ao nosso tempo. Com engenho e arte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5858590561987696942?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5858590561987696942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5858590561987696942' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5858590561987696942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5858590561987696942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/02/esperanas-de-portugal.html' title='Esperanças de Portugal'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-2780918372126093306</id><published>2008-02-20T23:26:00.000Z</published><updated>2008-02-20T23:27:18.928Z</updated><title type='text'>Simetria</title><content type='html'>Há alguns meses, o Estado desencadeou uma iniciativa inédita de divulgar na internet a lista de grandes devedores, como mecanismo de pressão e de condicionamento social desses refractários. Ao que parece, tal medida teve um sucesso razoável na recuperação de alguns créditos pois devedores houve que, perante tal iminência, se apressaram a pagar as suas dívidas. Recentemente, ainda que de forma limitada, o Tribunal de Contas fez o inverso: publicou a lista de credores do Estado. Era o mínimo que se exigia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na passada semana, num outro eixo, o Governo veio anunciar que o Estado procuraria reduzir até 2010 os seus prazos de pagamento da média actual de cinco meses para 30 a 40 dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas questões sinalizam um tema central para a recuperação do prestígio das instituições. O Estado, enquanto emanação de todos nós, deve ser sempre pessoa de bem e nunca deve abusar da sua posição dominante. Deve, por isso, na relação com o cidadão, com as empresas e com as instituições da sociedade civil, ser exemplar. Desde logo, deve cultivar uma relação simétrica e recíproca. Não pode, por exemplo, exigir ao cidadão ou à Empresa algo que não pratica. Não deve cultivar uma relação de desconfiança prévia e de um “pague primeiro e queixe-se depois”. Por isso, se quer publicar as dívidas que cidadãos ou empresas têm para com ele, deve começar por publicar as suas dívidas para com cidadãos ou empresas. Essas listas têm de estar lado a lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em simultâneo, defendo convictamente que o Estado deve aceitar que se aplique às suas dívidas para com os seus credores – individuais ou colectivos – as mesmas penalizações que cultiva para com os seus devedores. Ou seja, não é aceitável que o Estado não pague juros de mora por pagamentos atrasados para lá do prazo acordado, sendo que, naturalmente, não deveria sequer ter esse atraso de pagamentos. Sei, por experiência própria, que muitos dos atrasos não estão dependentes da vontade dos funcionários ou dirigentes públicos mas de um sistema incrivelmente burocrático e pesado. Mas, perante essas dificuldades, a resposta certa é, por um lado, melhorar o sistema mas, por outro, assumir os custos desses atrasos, pagando os devidos juros de mora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro desafio passa por vir a ser aceite o pagamento de dívidas ao Estado com créditos pendentes. Isto é, se devo ao Estado 10 e o Estado me deve 100, fica a dever-me só 90. Esta é uma matemática simples que ajudaria a moralizar relações simétricas e de respeito mútuo. Ora, o que vigora actualmente como regra é que eu pague já os 10 ao Estado e o Estado pagar-me-á os 100, sem juros, quando puder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que não cultivo uma visão anti-Estado. Pelo contrário. Faço-o por valorizar extraordinariamente a sua função. Mas um Estado sério, eficiente e eficaz. Um Estado digno, respeitado e respeitador.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-2780918372126093306?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/2780918372126093306/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=2780918372126093306' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2780918372126093306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2780918372126093306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/02/simetria.html' title='Simetria'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-2950215351455952413</id><published>2008-01-26T00:29:00.000Z</published><updated>2008-01-26T00:30:01.117Z</updated><title type='text'>Princípios e interesses</title><content type='html'>É clássico colocar os princípios e os interesses como antagónicos e divergentes. Inimigos desde sempre, estes dois mundos confrontam-se (aparentemente) em todos os campos da nossa vida. Onde vingam os interesses não têm lugar os princípios e vice-versa. Diz-se, por exemplo, que os países não têm princípios, só têm interesses. Atrás desta dicotomia vem sempre a acusação de que quem defende princípios, nomeadamente na política, não tem a noção da realidade e é um ‘lírico’. Então, só a gestão dos interesses seria expressão da inteligência e a via eficaz da ‘real politik’. Ora, essa é uma visão comprovadamente errada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa leitura da realidade radica num evidente pessimismo sobre a natureza humana e configura uma acção política utilitária sem horizonte nem sustentabilidade. Vejamos, por exemplo, o que tem acontecido ao nível do ambiente. Esquecidos os princípios de protecção da Terra que nos foi deixada em herança, em particular dos seus recursos naturais, deixámos à solta os interesses de um crescimento a qualquer custo e sem princípios. É certo que, a curto prazo, alguns beneficiaram com essa gestão de interesses. Mas torna-se já evidente o preço que todos vamos pagar por esse desenvolvimento sem princípios. O aquecimento climático, a crise energética, a desertificação ou a complexa gestão da água são evidências do que quer dizer a política dos interesses, interpretada sem princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se olharmos para uma outra dimensão, a do comércio internacional, de novo é evidente a que resultado nos conduz uma visão hiperpragmática de defesa de interesses próprios. O empobrecimento de muitos com quem comerciamos e a quem impomos um preço elevadíssimo nessa relação levar-nos-á a um beco sem saída. A repartição injusta da riqueza é uma bomba ao retardador. O desespero de uma cintura de pobreza à volta da Europa pressionará as nossas fronteiras até ao colapso. O êxodo à procura de sobreviver movimentará os pobres que o nosso egoísmo gerou. O facto de, enquanto países ricos, não termos princípios e só vivermos em função dos interesses egoístas – respeitando a regra suposta das relações internacionais – provoca uma catástrofe. Os interesses sem princípios são verdadeiros eucaliptos na nossa sociedade. Secam tudo e matam antecipadamente o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nossos interesses só são defendidos, sustentadamente, se forem respeitados princípios fundamentais. Sem princípios, estaremos sempre a perder. É só uma questão de tempo para percebermos os efeitos. Quem quiser ser verdadeiramente eficaz a defender os seus interesses comece por tornar sólidos os seus princípios. E entre esses, dê prioridade ao respeito pelo bem comum, à cultura de solidariedade e à promoção da justiça social. Precisamos de alcançar esta plena convergência de princípios e de interesses para que seja viável um Mundo melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-2950215351455952413?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/2950215351455952413/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=2950215351455952413' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2950215351455952413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2950215351455952413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/01/princpios-e-interesses.html' title='Princípios e interesses'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-8569085778329035491</id><published>2008-01-26T00:27:00.000Z</published><updated>2008-01-26T00:28:00.399Z</updated><title type='text'>A erosão da confiança</title><content type='html'>Quando reflectimos sobre a pobreza e a riqueza das nações, o que condiciona o seu desenvolvimento ou o seu afundamento, vezes de mais somos canalizados para a análise da disponibilidade de recursos naturais, de capital ou de força de trabalho qualificado. Procuram-se, assim, explicações nos motivos mais óbvios que sendo parte da verdade não a esgotam e, muitas vezes, distorcem-na. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como Alain Peyrefitte (‘A Sociedade da Confiança’, Edições Piaget) acreditamos que o que justifica o desenvolvimento sustentável de algumas nações é, acima e antes de tudo, o serem sociedades de confiança, onde se conjugam a liberdade, a autonomia e a responsabilidade, numa mistura virtuosa que faz milagres. Essa dinâmica assentaria fundamentalmente numa sociedade caracterizada pelo vínculo da confiança entre os seus cidadãos e entre cada um deles e as instituições. A estes acresceria, em lugar cimeiro, a confiança de cada um em si próprio, o que lhe daria uma capacidade de empreender e de assumir riscos, que seria essencial para o desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante as dificuldades que enfrentamos, não podemos deixar de ler a crise segundo este filtro. Os índices de confiança na sociedade portuguesa têm vindo a sofrer uma erosão persistente, o que nos leva a não confiar em ninguém, nem sequer em nós próprios. Somos bombardeados por uma visão sempre pessimista da realidade e influenciados por um ambiente hostil de ataques cerrados por tudo e por nada. De igual forma, ficamos condicionados por uma evidência de maus exemplos, destacados na agenda mediática, e inevitavelmente somos empurrados para esta desconfiança militante que nos mina e nos corrói. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando assistimos à descredibilização – justificada ou não, pouco importa para este efeito – da política, da justiça, da autoridade policial, das empresas, da saúde ou da escola, a desconfiança dispara e perde-se a mola essencial capaz de nos projectar para os mais altos voos. Ficamos deprimidos e encolhidos. Medrosos e cinzentos. Falta-nos o combustível para caminhar, porque a confiança se esvaiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, portugueses, precisamos de cuidar da confiança. Necessitamos de nos disciplinar para recusar a destruição suicida dos elos de confiança que nos unem (ou uniam). Devemos, ao mesmo tempo, cultivar pequenos e grandes gestos que nos mostrem que há – por regra – todas as razões para confiar e que os motivos para desconfiar (que também existem) não representam senão uma mínima expressão. Da mesma maneira, devemos fazer florescer tudo o que reforça a autoconfiança em cada um de nós. Nas nossas crianças e nos nossos adultos. Não há batalhas impossíveis para quem confia em si próprio e nos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta responsabilidade é de todos nós. Cidadãos e cidadãs, antes de tudo. Mas é particularmente exigível aos políticos e aos jornalistas, aos juízes e aos professores, aos médicos e aos agentes de segurança, entre muitos outros, que a confiança se reforce. Neste processo é também vital que o Estado e as suas instituições consigam ganhar esse capital de confiança junto dos seus cidadãos. Sem confiança, não há futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-8569085778329035491?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/8569085778329035491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=8569085778329035491' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/8569085778329035491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/8569085778329035491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/01/eroso-da-confiana.html' title='A erosão da confiança'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5736989195048215201</id><published>2008-01-15T18:31:00.001Z</published><updated>2008-01-15T18:31:51.215Z</updated><title type='text'>Diálogo intercultural</title><content type='html'>O ano que iniciou é dedicado, na Europa, ao diálogo intercultural. E bem. Num mundo que se globalizou radicalmente e onde (algumas) fronteiras se diluíram, afirmam-se o pluralismo e a diversidade como realidades incontornáveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os que acreditaram que a globalização representaria uma uniformização cultural ou religiosa enganaram-se redondamente. Pelo contrário, por acção ou reacção, a globalização conduziu ao efeito inverso. Nunca foi tão evidente, à escala micro e macro, que a Humanidade é um imenso puzzle de peças diferentes e que qualquer sonho de uniformidade cultural ou religiosa não tem viabilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer ao nível cultural quer ao nível religioso colocam-se importantes desafios de uma convivência pacífica entre diferentes tradições de povos vizinhos. Acresce que, graças à crescente mobilidade humana, no seio da própria Europa se torna evidente a necessidade de gerir essa diversidade cultural. Assim sendo, o único caminho é sermos capazes de gerir a diversidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, não se julgue que é de agora esse desafio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de séculos, tendo pelo meio muitas etapas violentas de desencontro e de erros monstruosos, a Europa teve que gerir ao nível religioso a relação entre católicos e protestantes, ou entre cristãos e judeus. Também ao nível cultural, a presença de fortíssimas matrizes culturais – escandinavas, anglo-saxónicas, germânicas, francesas – exigiu esse esforço de diálogo e de encontro. Trata-se, agora, de renovar essa experiência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro nível, o diálogo intercultural tem como foco essencial, numa sociedade plural, o reforço do sentido de pertença e a construção participada de uma comunidade de destino, partindo do respeito mútuo pela diversidade, considerada um valor em si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais do que uma co-existência pacífica de diferentes comunidades e indivíduos, o modelo intercultural afirma-se no cruzamento cultural, sem aniquilamentos, nem imposições. É uma dinâmica interactiva e relacional. Muito mais do que a simples aceitação do ‘Outro’ propõe-se o acolhimento do ‘Outro’ e transformação de ambos com esse encontro, decorrendo daí um novo ‘Nós’. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre plural, mas também sempre coeso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se, para que não restem dúvidas, que o diálogo intercultural se desenvolve sempre e só no quadro dos Direitos Humanos, da Democracia, do Estado de Direito com o primado da Lei. Do lado das obrigações, mas também dos direitos. Mas não admite que existam uns ‘mais iguais do que outros’, nem assume a Lei como algo de cristalizado e imutável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A opção intercultural é, de todas as políticas de gestão da diversidade cultural, a mais exigente: necessita, para o seu desenvolvimento, de convicção, investimento, negociação e transformação mútua. Por isso, o Ano Europeu do Diálogo Intercultural é uma excelente oportunidade para investir neste caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5736989195048215201?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5736989195048215201/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5736989195048215201' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5736989195048215201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5736989195048215201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/01/dilogo-intercultural.html' title='Diálogo intercultural'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5065939431519359558</id><published>2008-01-04T11:26:00.000Z</published><updated>2008-01-15T18:32:15.909Z</updated><title type='text'>Três desejos</title><content type='html'>Os ciclos do tempo têm esta impagável vantagem de permitirem uma sensação de renascimento. De começar de novo. De aspirar a que o amanhã possa ser diferente de ontem. De se ter deixado para trás tudo o que não presta. De pôr os contadores a zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que, em grande parte, não passe de ilusão de óptica, há que aproveitar a boleia. Cada um de nós saberá que metas colocar para si neste recomeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para uns, sem ser demasiado ambicioso, usando uma estratégia de ‘pouco, pequeno e possível’, talvez se consiga alcançar algo. Para outros, só os grandes desafios os mobilizam suficientemente e nada menos do que o (quase) impossível é interessante. Para todos, o importante mesmo é concretizar essas metas, quaisquer que sejam, com toda a energia e convicção dos recomeços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colectivamente também precisamos desta nova oportunidade. Que desejos temos para o próximo ano? Que ambicionamos para o nosso destino comum, nos próximos meses? Pelo meu lado, atrevo-me a enunciar três desejos, tão simples quanto próximos da utopia. O primeiro desejo é que saibamos dizer mais vezes “o que é que posso fazer pelo meu país?” em vez de “alguém tem de fazer alguma coisa por este país!” Se formos consequentes com esta atitude, seremos mais participativos, mais exigentes e mais generosos. Deixaremos para trás uma atitude sebastiânica infantil que nos desresponsabiliza e perceberemos que a possibilidade de um futuro melhor está nas nossas mãos. Assim, cumprindo a nossa parte, poderemos fazer muito por um Portugal melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo desejo liga-se com o primeiro. Gostava que fossemos capazes de reforçar, em primeiro lugar, o que nos une, em vez de acentuar sempre o que nos divide. Somos um pequeno povo que já foi capaz de grandes feitos e... de grandes disparates. Mas se há uma no-ta comum, que já vem desde o tempo dos lusitanos, é que tendencialmente “não nos governamos nem nos deixamos governar”. Em grande medida isso resulta da permanente fractura interna em que vamos vivendo. Precisamos, ao invés, de reforçar a coesão nacional, porque há muito que se sabe que “a união faz a força”. O último desejo, e porventura o mais importante, é que viremos as costas à lamúria e ao pessimismo e saibamos reforçar a esperança e a confiança. Precisamos de contrariar o vaticínio de Unamuno e provar que não somos um povo de suicidas. Chega de discursos catastróficos e de vozes de mau agoiro. Basta de profecias da desgraça e de becos sem saída. Quanto maiores as dificuldades, mais urgente é a esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os próximos meses precisamos de acreditar que, se fizermos por isso, o futuro pode ser melhor. Mas não desprezemos esta dimensão do ‘acreditar’. Muito à nossa maneira, só faremos alguma coisa por um futuro melhor se acreditarmos, se nos transcendermos, se ousarmos. Se não, mesmo que sejamos tecnicamente capazes e que até tenhamos os meios, não o faremos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boas intenções, dirão alguns. Sê-lo-ão, com certeza. Mas se não nos inspirarmos nelas, creio não iremos a lado nenhum. Bom ano!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5065939431519359558?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5065939431519359558/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5065939431519359558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5065939431519359558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5065939431519359558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/01/trs-desejos.html' title='Três desejos'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5262444433659287266</id><published>2008-01-01T23:16:00.000Z</published><updated>2008-01-01T23:17:07.774Z</updated><title type='text'>O dia seguinte</title><content type='html'>Mais um Natal se comemorou. Com a tradição mais ou menos respeitada, em torno da agitação das festas, das prendas e das comidas, à medida de cada um, lá se passou. Tornámo-nos, provavelmente, seres exaustos. Aproveitámos, talvez, para fazer algum Bem que a corrida dos dias, ao longo do ano, não deixa tempo, nem cria ambiente. Deixámos, quem sabe, um gesto de solidariedade, aqui ou além, para os que não tiveram consoada, ou não sentiram o calor da família reunida. Mas agora, passado o dia de Natal, voltaremos ao normal, à nossa “vidinha”, sem tempo para essas coisas. Ainda não percebemos que o verdadeiro sentido do Natal se percebe – ou não – no dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando terminou toda a agitação externa, quando as luzes já não encandeiam a alma e quando os doces já não iludem o verdadeiro sabor da vida, aí estamos prontos para entender o Natal. Que encontraremos então, se soubermos ver o invisível? A experiência cristã, ao alcance pleno dos crentes, mas também entreaberta aos não-crentes, deixa-nos um Deus-menino que se tornou Homem, partilhando as contingências da nossa vida. Desde o primeiro momento de um nascimento em pobreza, até um último suspiro, pendurado injustamente numa cruz, Ele foi um de nós. Esta mensagem de um Deus que desce da sua morada grandiosa e, por Amor, se disponibiliza a viver connosco todas as vulnerabilidades humanas é extraordinária. Numa cultura judaica, onde o divino era sempre magnificente e distante, esta mensagem de um vulnerável Deus-menino era inesperada e mesmo escandalosa. Ainda hoje estamos na mesma. Custa-nos muito imaginar o rosto de Deus na simplicidade e na discrição. Mas foi isso que resultou daquela noite maravilhosa, em Belém da Judeia, há dois mil anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma outra dimensão que se descobre neste mistério cristão do Natal é um Deus-menino que se transforma em nosso Irmão. Que nos eleva à categoria de participantes na divindade. Sem distância, como se tocássemos a eternidade. Mas se percebermos bem a dimensão dessa herança do dia seguinte, em que nos descobrimos irmãos não só Dele, mas de todos os homens, o Natal ganhará uma consequência extraordinária. Como seria diferente o mundo se víssemos sempre no outro homem, um irmão! Como tudo poderia ser melhor... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, podemos descobrir no dia seguinte, a forma como nos quis mostrar também que a força de Deus começa por repousar sobre os mais pobres e mais fracos, entre os que não têm lugar na hospedaria para nascer, entre os que, para sobreviver, têm que fugir, ainda que acabados de nascer. O dia seguinte desafia-nos, por isso, aos que temos muito. Desafia-nos a desacomodarmo-nos e, como os Magos, irmos à sua procura, nos estábulos dos nossos dias. À margem das luzes, do conforto e da fama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns, teremos a sorte de O descobrir como Deus; mas todos o poderemos ver como inspiração. Esta é a magia do dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(26/12/2007)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5262444433659287266?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5262444433659287266/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5262444433659287266' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5262444433659287266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5262444433659287266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/01/o-dia-seguinte.html' title='O dia seguinte'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-4847919893258989658</id><published>2008-01-01T23:15:00.000Z</published><updated>2008-01-01T23:16:12.159Z</updated><title type='text'>Discernimento</title><content type='html'>Se olhássemos o mundo pela perspectiva do mercado diríamos, que se vive, no lado da oferta, uma Era de abundância e de diversidade, provavelmente sem paralelo na História da Humanidade. Do lado da procura, apesar das limitações e das excepções, existe um assinalável incremento na capacidade de consumo da oferta disponível – e de novas exigências – que retroage positivamente, estimulando mais oferta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ascensão do consumo, estimulado por esta economia de mercado ufana e triunfante, que transporta uma oferta sempre crescente de bens e serviços é assim evidente e, potencialmente, contagia todos os domínios do consumo. Do entretenimento à indústria automóvel, dos media aos hipermercados, das indústrias culturais à internet, multiplicam-se as referências e as ofertas.  As mais recentes tendências de segmentação e de personalização da oferta aumentam ainda mais este registo, indo ao extremo de ter tantos sub-produtos quantos os sub-grupos de consumidores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também na vida das empresas, esta dinâmica tem várias expressões. Decorrente da globalização, abriram-se mercados enormes, que ultrapassam fronteiras geográficas ou hábitos culturais. Por outro lado, a já referida segmentação fina do consumo, criou uma diversidade de oportunidades – e de ameaças – para a afirmação de produtos e serviços. Ambos os movimentos ocorrem num ambiente de fortíssima concorrência que exige, desde logo, uma enorme capacidade de discernimento empresarial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta abundância e diversidade não se vive só no mercado. Está em todo o lado e mudou a nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata, contudo, de uma abundância monocromática, nem de uma diversidade coerente. A complexidade e a contradição somam-se como características estruturantes do tempo presente e futuro. Vive(re)mos num labirinto, rodeados de resmas de informação, num arco-íris de opções. É, e será, cada vez mais um mundo angustiante para indecisos – tantos caminhos! - e perigoso para simplistas – destruídos pelas armadilhas da complexidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, emerge a necessidade imperiosa de desenvolver e consolidar, a nível individual e colectivo, a capacidade de discernimento – saber, em cada momento, fazer as perguntas certas, conhecer e seleccionar a informação disponível relevante e, sobre ela, fazer um juízo. Em consequência, tomar opções, operacionalizá-las e, finalmente, avaliá-las, integrando a aprendizagem decorrente da experiência na sua capacidade futura de discernimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em certa medida, o passaporte para o futuro exige como visto, a capacidade de escolher, sustentada a montante no acesso e na leitura dos dados e a jusante na capacidade de dar resposta e avaliar decisões.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-4847919893258989658?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/4847919893258989658/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=4847919893258989658' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4847919893258989658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4847919893258989658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/01/discernimento.html' title='Discernimento'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-6948400315464531294</id><published>2008-01-01T23:14:00.000Z</published><updated>2008-01-01T23:15:12.419Z</updated><title type='text'>Audácia da Esperança</title><content type='html'>Por estas semanas, nos Estados Unidos da América (EUA), aceleram as primárias que permitirão aos dois maiores partidos – republicano e democrata – escolherem os seus candidatos para as presidenciais do próximo ano. Se entre os republicanos nada de interessante se passa, já no campo dos democratas assiste-se a uma luta inédita. Os dois candidatos melhor posicionados são Hillary Clinton e Barack Obama. Assim, os democratas apresentarão, pela primeira vez na história do seu país, uma mulher ou negro como alternativas para o mais alto cargo político dos EUA e, porventura, um dos mais importantes protagonistas mundiais. Caso um deles venha a ser o próximo presidente dos EUA o impacto simbólico não será pequeno e seria uma excelente notícia para o mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os dois, salienta-se contudo o senador Obama. Com 46 anos, este americano já revolucionou com a sua candidatura o panorama político americano. Licenciado em direito em Harvard, filho de uma americana e de um queniano, trabalhador social em bairros deprimidos de Chicago, surgiu como voz de uma política de esperança que tem levantado muitos apoios. Apesar das sondagens ainda lhe darem um segundo lugar atrás de Hillary, não se pode ignorar o eco que a sua mensagem tem tido nos americanos de todas as origens. Ao ler recentemente o seu livro “A audácia da esperança” pude perceber um pouco melhor o sucesso de Obama. E entusiasmar-me com ele.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ser um candidato anti-sistema, o senador percebeu “a política pode ser diferente e que os eleitores querem qualquer coisa de diferente. Percebi que estão fartos de distorções, de ofensas pessoais, de sound-bites para resolver problemas complicados..” E esta a ensaiar a resposta a este desafio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que, do muito que o livro evidencia, a força da proposta que Barack Obama interpreta, resulta sobretudo da fusão entre uma forte preocupação de justiça e coesão social, com a defesa de valores de sempre. Assume, por isso, sem rodeios que “para promover a sociedade que desejamos precisamos tanto de transformação cultural quanto de acção governamental; de uma mudança de valores e de políticas” e que “é a linguagem dos valores que as pessoas usam para ordenar o seu mundo, é o que lhe põe servir de inspiração para fazer agir e fazê-las sair do seu isolamento”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o nosso contexto europeu, avesso a centrar-se nos valores profundos enquanto eixo da acção política, ou sempre pronto a catalogar qualquer defesa de valores como atitude típica da “direita”, Obama representa uma voz inesperada, tanto mais porque é de “esquerda”. Acresce que defende valores a partir de uma perspectiva positiva, marcada pela audácia da esperança, traço comum que visualizou na esmagadora maioria dos americanos com que se foi encontrando. E é essa política da esperança que o levará longe, porque, como disse Luther King, “tudo o que é construído no mundo, é construído pela Esperança”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do Atlântico, sopram ventos novos que nos devem inspirar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-6948400315464531294?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/6948400315464531294/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=6948400315464531294' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6948400315464531294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6948400315464531294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2008/01/audcia-da-esperana.html' title='Audácia da Esperança'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-6440343703699825664</id><published>2007-12-09T18:18:00.000Z</published><updated>2007-12-09T18:19:16.009Z</updated><title type='text'>A outra árvore</title><content type='html'>Com o calendário a mostrar Dezembro, começam a multiplicar-se as árvores de Natal. Dentro e fora de portas, em versões de plástico ou ainda com o tradicional pequeno pinheiro, vão enfeitando os nossos dias. Nada contra. Sinal de festa que faz falta à nossa vida, sobretudo se tiver algum sentido além de fugazes e vazios apelos consumistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Porto, a este propósito, acontece por estes dias um contraste cheio de significado. Na rotunda da Boavista, transplantada da experiência nos anos anteriores em Lisboa, está uma árvore de Natal gigante. Do alto dos seus 76 metros e com o brilho de três milhões de lâmpadas, ilumina toda a rotunda. São 280 toneladas de artefactos sofisticados para comemorar comercialmente a quadra natalícia. Muitos euros a terão feito crescer, talvez para lembrar que... é tempo de comprar prendas para pôr na árvore de Natal caseira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, longe do centro, no Bairro do Cerco, tido como território difícil, está uma outra árvore. De Natal, também. Com muito mais significado, porém. Fora do bulício das compras, entre os que não tiveram lugar na hospedaria, lá está aquela árvore especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grande plátano, enraizado há décadas no meio do bairro, foi transformado numa árvore de Natal que é uma metáfora notável. No topo desta outra árvore está uma estrela de Natal. Feita pelas pessoas do bairro e soldada por um antigo metalúrgico. Foi colocada como expoente desta dinâmica. Como estrela que aponta um caminho. Mais abaixo, nos seus ramos repousam não só as luzes que um morador permitiu que fossem ligadas a uma tomada eléctrica da sua casa. Penduradas nos seus braços estão também faixas coloridas. Nelas estão inscritas frases que são os desejos de Natal das crianças para o seu bairro. E também o que cada uma destas crianças pensa que pode fazer para que esse desejo se concretize. Nem mais, nem menos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não poderia haver melhor retrato de Natal. Entre os mais excluídos, que ficam à margem, também é possível fazer brilhar a esperança. Com a participação de todos e para todos. Numa lógica animada pelas suas crianças, nas quais os desejos não são egoístas nem se referem a brinquedos ou gulodices. Pedem o que mais falta lhes faz e comprometem-se a não esperar que a concretização desse desejo caia do céu. Assumem fazer algo para que o desejo se torne realidade. Não que acreditem que por estes dias acabe instantaneamente o tráfico de droga, a violência e a pobreza que fazem sofrer o bairro. Mas porque sabem que, apesar de tudo, nas suas mãos está a capacidade de mudar alguma coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão de parabéns Márcia Andrade e a equipa do projecto Pular a Cerca, do programa Escolhas, que, com o suporte do consórcio de instituições que promovem o projecto, deram um exemplo. Para todos estes protagonistas, o Natal já chegou. Como eles, muito podemos fazer para multiplicar a esperança nesta época.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-6440343703699825664?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/6440343703699825664/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=6440343703699825664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6440343703699825664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6440343703699825664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/12/outra-rvore.html' title='A outra árvore'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1370958116939704168</id><published>2007-12-04T11:46:00.000Z</published><updated>2007-12-04T11:47:40.040Z</updated><title type='text'>Heróis anónimos</title><content type='html'>Sempre gostei das grandes biografias, das histórias de homens e mulheres notáveis, que se agigantaram em momentos críticos da História. Todos nós crescemos com os seus nomes à cabeceira dos nossos sonhos e ambicionámos ser parecidos. Mas, com a idade, vamo-nos acomodando ao possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande heroísmo com que sonhámos vai ficando progressivamente mais longe. Cada vez mais longe. Só que surge então a sabedoria de ver, à nossa volta, os heróis anónimos. Os que não têm direito a livro biográfico, nem a nome próprio nos escaparates da fama. Mas que representam um exemplo para todos nós. E que são alguns de vós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo os olhos por eles. Descubro as mães que preparam os seus filhos ainda a manhã não tem luz, os deixam no infantário, partindo para o seu trabalho em transportes públicos a abarrotar. A jornada tem de ser cumprida como se nada mais fizessem e, no regresso, de novo a correria. Apanhar os miúdos, fazer compras, chegar a casa, dar jantar e deitar os miúdos e... preparar um novo dia que será igual. Perante elas me curvo, heroínas anónimas do nosso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho depois os pais que se desdobram numa luta pelo emprego que não está fácil, inventando aqui e além alternativas para compor um magro orçamento familiar. Admiro-os no esforço de se adaptarem aos novos tempos que também deles exigem a co-responsabilidade nas tarefas domésticas e no cuidar dos filhos. Percebo as suas angústias na relação com um mundo diferente dos seus filhos e com a incerteza de estarem à altura das responsabilidades. Perante eles me curvo, heróis anónimos do quotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho também para aqueles miúdos que, contra tudo e contra todos, resistem a condições adversas e não descambam. Que estudam quando o esperado era abandonar. Que alcançam sucesso, anulando o destino traçado de fracasso anunciado. Também perante estes me curvo, meus pequenos heróis desconhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há mais. Muito mais. O pescador, que entre o frio da madrugada e o vento que faz baloiçar a sua casca de noz, insiste em procurar tirar do mar o seu pão de cada dia, com a salmoura a queimar as mãos e a dúvida a pairar sobre o amanhã. O condutor do comboio que não pode ter tempo para as suas divagações e se verga com a responsabilidade de milhares de vidas nas suas costas. O homem que recolhe o lixo malcheiroso e pesado que multiplicamos todos os dias, com quem nos cruzamos só em noites que regressamos tarde. A enfermeira que vela pelos seus doentes, no silêncio nocturno de um qualquer hospital, à disposição de um pedido de ajuda. O polícia que é, mais uma vez, chamado para acudir quem precisa, não sabendo que perigos esconde a escuridão... e tantos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São heróis e heroínas sem notoriedade pública, mas porventura com muito mais valia humana do que alguns nomes consagrados. Anónimos que vão substituindo, na minha cabeceira, as biografias dos meus heróis de adolescente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1370958116939704168?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1370958116939704168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1370958116939704168' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1370958116939704168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1370958116939704168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/12/heris-annimos.html' title='Heróis anónimos'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1064628262630957071</id><published>2007-12-04T11:44:00.000Z</published><updated>2007-12-04T11:46:03.156Z</updated><title type='text'>Dignidade e Liberdade</title><content type='html'>Quase no final do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, é útil regressar aos fundamentos, à razão de ser, ao ‘porquê’ e ‘para quê’ de uma causa que nunca se esgotará. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A afirmação da igualdade de oportunidades não resulta senão da assunção clara e inequívoca da igual dignidade de todos os seres humanos. É aqui que tudo radica: nada nos distingue na plenitude da nossa dignidade. Cada pessoa é uma obra única, uma sinfonia perfeita, uma pérola irrepetível. Para lá de qualquer aparência, de diferença formal ou de origem distinta, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;cada pessoa é uma humanidade individual&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, no dizer de Mia Couto. Essa visão humanista coloca obrigatoriamente a Pessoa no centro das políticas e reconhece-a como princípio e fim de tudo. E sendo séria esta opção, deve ter consequências. A todos nós é exigido o esforço, quer numa expressão individual, quer na esfera colectiva, de fazer respeitar a dignidade humana, de todos e de cada um dos que nos rodeiam. E esse respeito passa obrigatoriamente pela criação de iguais oportunidades para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos pactuar com campos inclinados, em que para uns o jogo é sempre feito contra a gravidade enquanto para outros se desenrola com a inclinação do campo a seu favor. Não podemos aceitar que na corrida da vida, na linha de partida, uns tenham tudo para vencer e outros mal consigam dar os primeiros passos. Conviver pacificamente com esta realidade injusta como de um fado inevitável se tratasse é ignorar o respeito pela dignidade humana. É desistir de parte da Humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Precisamos, por isso, de garantir a igualdade de oportunidades, para que cada homem e cada mulher possam ser verdadeiramente livres.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; E, assim, um ser único e diferente. Para que o seu destino seja fruto da sua vontade, do seu trabalho e das suas escolhas e não se encontre previamente escrito pelo contexto em que nasce. A liberdade e autodeterminação de cada pessoa deverão, assim, ser os únicos factores diferenciadores no trajecto de uma vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos ser esta uma utopia antiga. Sempre presente e sempre inatingível. Mas como avançaria o Mundo sem a ousadia de querer evoluir em direcção à perfeição dos ideais? &lt;strong&gt;Renovamos, hoje e sempre, a certeza de que só vale a pena viver em busca de um mundo mais justo, com lugar para todos, no respeito pela sua liberdade e na inclusão das suas diferenças.&lt;/strong&gt; Na certeza absoluta da inviolabilidade da dignidade humana e na convicção de que esta só é respeitada se a todos forem concedidas oportunidades iguais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1064628262630957071?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1064628262630957071/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1064628262630957071' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1064628262630957071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1064628262630957071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/12/dignidade-e-liberdade.html' title='Dignidade e Liberdade'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-4180935809977200043</id><published>2007-12-04T09:56:00.001Z</published><updated>2007-12-04T09:56:34.258Z</updated><title type='text'>Pontífices</title><content type='html'>E num tempo complexo e cheio de contradições, onde o conflito facilmente degenera em agressão e violência – pelo menos, verbal –, e num quadro social marcado pelo pluralismo, pela diversidade e pela fractura, coloca-se a questão de como gerir conflitos e diferenças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em registo democrático e de desejável igualdade entre todos os cidadãos, a definição de um caminho comum que a todos mobilize e que a ninguém desrespeite, que parta das diferenças para chegar às convergências, constitui um dos maiores desafios. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este objectivo torna-se tanto mais difícil quanto cada um de nós tende a absolutizar a sua posição e a ter dificuldade de ver o Mundo pelos olhos do Outro. Limitamo-nos a olhar pela nossa janela e só admitimos como verdade aquilo que daí se vê. Ora, a consequência é evidente. Ficam a faltar pontes de contacto, escasseia o entendimento e cresce a hostilidade. Ficamos encerrados na Babel do nosso desentendimento. E tal como na metáfora dessa Torre, a obra pára e fica incompleta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O nosso tempo precisa desesperadamente de uma cultura de pontes. De quem una, em vez de separar. De quem ouça, para além de falar. De quem faça, em vez de lamentar.&lt;/strong&gt; Há muitas margens para ligar, que sem pontes nunca se encontrarão. Por outro lado, todos os dias surgem novas ameaças à destruição de pontes que existem. Multiplicam-se as margens sem paz. É impressionante que, em tempo de guerra, um dos objectivos mais atingidos sejam as pontes. Simbolicamente, na sua destruição, está a imagem dessa maldição e das suas consequências. Assim, uma das missões mais urgentes, para quem quer lutar por um Mundo melhor, é ser pontífice. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode soar estranho, porque estamos habituados a ouvir esta expressão como um dos títulos do Papa – Sumo Pontífice – mas a utilização desta designação não é exclusiva, nem está associada obrigatoriamente a questões religiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressão Pontífice provém do latim, ‘pontifex’ formado por ‘pons’ e ‘facere’ que significa ‘fazer ponte’. E se ao Papa, na tradição da Igreja Católica, está incumbida a função de fazer a ponte entre Homens e Deus, por cada um de nós pode ser assumida a missão de fazer pontes na nossa sociedade. Entre as pessoas e as suas diferenças. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tal notável tarefa precisamos de reconhecer a existência de margens e ter a intenção firme de as ligar. Respeitando-as na sua essência, mas afirmando que não se esgotam em si mesmo. Que só ganham sentido através das pontes que construírem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada opinião divergente, precisamos de encontrar o local certo onde se possa construir uma ponte com outra perspectiva diferente. Ser pontífice é estar ao serviço do encontro e da transformação da Humanidade. Porque inevitavelmente quem estabelece uma ponte transforma-se no encontro com o Outro. Fica melhor. Ganha cores que não tinha. Vê o Mundo por outra janela, enquanto também mostra o que se observa da sua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se levarmos a sério o ser pontífice, o Mundo ficará melhor.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-4180935809977200043?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/4180935809977200043/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=4180935809977200043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4180935809977200043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4180935809977200043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/12/pontfices.html' title='Pontífices'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-2399563125760195654</id><published>2007-11-12T01:01:00.000Z</published><updated>2007-11-12T01:02:21.405Z</updated><title type='text'>Mães-coragem</title><content type='html'>O trágico acidente da semana passada, junto ao Terreiro do Paço, em Lisboa, em que morreram atropeladas duas mulheres e uma terceira ficou gravemente ferida, desocultou realidades que só longinquamente vamos percepcionando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filipa Lopes Semedo, de 57 anos, uma das vítimas mortais, imigrante são-tomense, mãe de 10 filhos, havia saído da sua casa, do outro lado do rio, às 4h.30m. da madrugada, para apanhar o primeiro barco que todas as manhãs atravessa o Tejo, trazendo os primeiros trabalhadores para a cidade. Com ela, viajavam outras mulheres africanas, de S. Tomé e Cabo-Verde, que vêm cuidar das limpezas dos muitos escritórios de Lisboa. Todas as vítimas atingidas por esta tragédia, tinham esse elo de união: vinham trabalhar, ainda não tinha o dia despertado, para as limpezas dos nossos escritórios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, nós que começamos o dia mais tarde, e que às quatro e meia da manhã ainda estamos no nosso descanso, não temos consciência da dureza de algumas vidas, em busca de pão para a família. Entre os muitos - portugueses e imigrantes - que são heróicos protagonistas destas vidas difíceis, devemos hoje particularmente uma homenagem à coragem destas mães africanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agarrando com as duas mãos, qualquer emprego que lhes surja, ainda que não difira muito do circuito das limpezas ou da venda de peixe, estas mulheres, muitas delas também mães, enfrentam com uma coragem extraordinária o seu quotidiano. Rodeadas de obstáculos hostis, procuram – normalmente sozinhas - educar os seus filhos o melhor que podem, ainda que quase tudo se volte contra elas. Basta imaginar o que sentirá uma mãe ao ter que deixar, todos os dias, os seus filhos pequenos entregues a si próprios, ou a irmãos um pouco mais velhos, porque à hora que sai de sua casa não há creches abertas onde os possam deixar. E, quantas vezes, só regressam a casa depois do turno da tarde de limpezas, o que equivale a ver os filhos só à hora de jantar. São crianças que crescem sozinhas, na rua, como preço dos nossos escritórios limpos antes das 8 da manhã e depois da seis da tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Filipa não morreu sozinha naquela manhã. Ao seu lado, ficou Neuza, na juventude dos seus 18 anos, que atravessava a passadeira com a sua mãe, naquele momento fatídico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da mãe de Neuza é a de muitas mães-coragem que emigrando, deixam os seus filhos no país de origem, à guarda da avó ou de algum familiar, sempre no sonho de um dia os poderem recuperar para junto de si. Juntam dinheiro, a partir de um magro salário, para conseguirem esse momento mágico de voltarem a juntar a família. Tinha sido essa a experiência da mãe de Neuza. Demorara quatro anos a juntar dinheiro para a passagem de avião da sua filha. Tinha conseguido trazê-la há seis meses para junto de si. Percebe-se, por isso, que após o atropelamento e apesar do seu estado muito grave, só gritasse o nome da sua filha. Nunca irá compreender porque morreu a sua filha Neuza, naquela manhã. Ainda haverá coragem que resista a mais esta provação?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-2399563125760195654?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/2399563125760195654/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=2399563125760195654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2399563125760195654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2399563125760195654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/11/mes-coragem.html' title='Mães-coragem'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1750906169519467254</id><published>2007-11-01T18:10:00.000Z</published><updated>2007-11-01T18:11:31.902Z</updated><title type='text'>Reciprocidade</title><content type='html'>Há um quase automatismo nas relações humanas. A máxima “olho por olho, dente por dente”, mais do que uma receita para resposta a qualquer provocação, ou medida da pena para qualquer crime, é a descrição do impulso inato na natureza humana. Tendemos a responder da mesma moeda, a não nos deixarmos ficar. Como dizem os nossos amigos brasileiros, não somos de “levar desaforo para casa”. Agimos como se fossemos um espelho. Com uma pequena diferença. Se possível, respondemos com um pouco mais de intensidade em relação à ofensa que nos foi feita. É superior às nossas forças. E quando essa reciprocidade entra em ciclo vicioso, numa espiral de vingança que se perpetua no tempo, atravessando mesmo gerações, torna-se devastadora. Esta é a plataforma de onde humanamente partimos, se deixarmos correr os instintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este traço da nossa maneira de ser, desperta duas reflexões. A primeira, decorre do efeito de se contrariar conscientemente o princípio da reciprocidade, quando este alimenta a espiral da vingança e da violência. Só se interrompe verdadeiramente esse ciclo quando alguém é suficientemente forte e corajoso para não agir com reciprocidade, ou dito de outra maneira, quando é capaz de perdoar. Por isso, quebrar a reciprocidade da agressão é a uma única forma de construir a paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uma outra consequência do princípio da reciprocidade nas relações humanas. Se tivermos a ousadia e o bem-senso de explorar este efeito para o bem, seremos agradavelmente surpreendidos. Da mesma maneira que maldade produz maldade, a bondade gera bondade. Basta começar a experimentar. O trânsito é um excelente laboratório. Por uma vez, não faça da estrada um terreno de combate, onde não pode deixar-se “comer por parvo”. Descontraia-se. Experimente, em vez de praguejar, esboçar um sorriso, e veja o que acontece. Em vez de se esforçar por não deixar um centímetro em relação ao carro da frente, para que ninguém entre na fila, experimente abrir espaço para quem está a tentar entrar. Num cruzamento, deixe passar, em vez de forçar a passagem e quando se verificar a fusão de duas filas numa só, aceite o principio da entrada intercalada de um carro de cada fila. É tão mais simples. E, finalmente, quando alguém tiver um gesto simpático consigo, agradeça...e veja o efeito. Em 95% dos casos sentirá os efeitos positivos da reciprocidade do bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando somos capazes de iniciar, ou reforçar, algo de bom, o efeito da reciprocidade amplia o gesto e contagia outros, que provavelmente irão continuar a cadeia para além do encontro consigo. E mesmo aqueles que o achem “anjinho” por estes gestos, ficarão a pensar neles. Um dia, também eles descobrirão que este é o caminho certo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo verdade que uma borboleta batendo as asas em Tóquio desperta uma tempestade no Ocidente, talvez não seja menos verdade que de pequenos gestos bons, graças ao efeito da reciprocidade, se poderá melhor um pouco o mundo em que vivemos. Podemos começar pelo trânsito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1750906169519467254?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1750906169519467254/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1750906169519467254' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1750906169519467254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1750906169519467254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/11/reciprocidade.html' title='Reciprocidade'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-7566520298291559662</id><published>2007-11-01T18:06:00.000Z</published><updated>2007-11-01T18:08:46.142Z</updated><title type='text'>Puritanismo</title><content type='html'>Não há nada mais irritante que o puritanismo. Quase sempre se evidencia como expressão hipócrita de quem exige aos outros aquilo que não faz, ou, na versão evangélica, que vê poeiras nos olhos dos outros, ignorando traves nos seus. Cuidando das aparências, vivendo mais de palavras do que de (bons) exemplos, os seus cultores cumprem um certo papel policial na nossa sociedade. Encontramo-los nos mais inesperados locais, sobre novos temas e, atrevo-me a dizer que, se procurarmos bem, encontraremos - infelizmente - alguns traços deste puritanismo em cada um de nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma destas evidências do puritanismo os nossos tempos é exercido relativamente aos políticos. Alvos da nossa desconfiança militante, deles exigimos comportamentos tão irrepreensíveis e tão exemplares que nem os santos caberiam nessa nossa grelha de exigência. Várias figuras notáveis da sociedade portuguesa, que poderiam dar um excelente contributo ao bem comum, através da política, quando a isso são instadas pensam duas vezes. E por causa deste puritanismo, dizem que não. Se assim continuarmos os que serão elegíveis para funções públicas contar-se-ão pelos dedos de uma mão. E talvez nem sejam precisos os dedos todos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrar que como herança negra da cultura do jornal O Independente, ficou em alguns media portugueses – e em todos nós, como seus consumidores – uma permanente tentação puritana de escrutínio. Ministros caíram, por exemplo, por haver dúvidas se haviam cumprido rigorosamente todas as suas obrigações fiscais. Gostamos de ter uma ASAE dos políticos, em que os principais fiscais são alguns jornalistas. Mas é isso honesto? Todos nós cumprimos rigorosamente as nossas obrigações fiscais? Pedimos sempre factura quando fazemos uma obra em casa, pagando o devido IVA? Declaramos tudo o que temos a declarar? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta tendência puritana, que não é exclusivo nacional, tem vindo a alargar-se nos âmbitos que alcança. Já não é só os impostos, mas também a carreira académica, as relações pessoais ou os interesses de cada um. Por exemplo, aceitaríamos divulgar publicamente cada ano, os nossos rendimentos, o saldo da nossa conta bancária, os imóveis, acções ou viaturas que possuímos? Não? Ora, exigimos isso, por lei, aos nossos políticos. Note-se que esta declaração fica disponível não só para o Tribunal Constitucional, como qualquer cidadão pode consultar, divulgar e opinar sobre essa declaração de rendimentos. Já vimos artigos de jornais elaborando, a partir dos dados dessas declarações, sobre a inteligência dos investimentos em bolsa de cada ministro. É isto razoável?   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se, como é óbvio, que não se advoga a fuga aos impostos ou o não cumprimento das leis. Ninguém está acima da lei. Todos somos chamados a respeitar as nossas obrigações. Sejamos cidadãos comuns, políticos, empresários ou jornalistas...Deixemo-nos pois destes puritanismos e sejamos exigentes, desde logo, connosco próprios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-7566520298291559662?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/7566520298291559662/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=7566520298291559662' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7566520298291559662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7566520298291559662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/11/puritanismo.html' title='Puritanismo'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-7597044430647538855</id><published>2007-11-01T18:05:00.000Z</published><updated>2007-11-01T18:06:02.251Z</updated><title type='text'>"Somos todos judeus"</title><content type='html'>Domingo, fim de tarde. Depois de uma cerimónia simples, mas cheia de significado, o presidente da comunidade islâmica, Abdool Vakil, cumprimentava solidariamente o líder da comunidade judaica de Lisboa, José Oulman Carp. Antes, tinha sido o representante do Patriarcado de Lisboa, P. Peter Stilwell, a repudiar firmemente as manifestações de ódio anti-semita. Eram gestos fraternos, que se multiplicavam no cemitério judaico de Lisboa, onde, uma semana antes, várias campas tinham sido vandalizadas com suásticas nazis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Somos todos Judeus”, disse-se. As palavras e as orações judaicas congregaram à sua volta, não só representantes do Estado, mas também das principais comunidades religiosas portuguesas. Ninguém ficou indiferente, perante gestos ignóbeis inspirados por ideologias sinistras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca é de mais reafirmar o repúdio e a condenação por todos os gestos que violam o respeito pela dignidade humana. A longa história secular do anti-semitismo, que fez milhões de vítimas no último milénio, está cheia de gestos hostis como estes. Mesmo que isolados, ainda que sem vítimas, não é possível deixá-los passar em claro. Sem não perder a noção das proporções relativas – actualmente, em Portugal, o anti-semitismo não tem expressão quantitativa significativa - torna-se essencial condenar em absoluto um só gesto anti-semita que se verifique. Tal como um qualquer gesto racista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não chega ficar por aí. É fundamental, nestas ocasiões, demonstrar solidariedade para com as vítimas. Vem à memória o notável gesto do rei da Dinamarca, aquando da ocupação nazi e da tentativa de identificação de judeus para deportação, que passou a usar a estrela de David, como se fosse judeu. Foi seguido por centenas de milhares dos seus súbditos e os nazis falharam redondamente o seu objectivo. Por isso, a cerimónia do passado Domingo foi tão importante. Ao ter visto nessa ocasião, cristãos, muçulmanos, hindus ou ateus, juntos, ao lado dos judeus, tornou-se presente essa solidariedade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tudo isto, falta ainda um compromisso para o futuro. Cada um de nós, como cidadão, tem a responsabilidade de, dia-a-dia, dar um contributo para a construção de uma sociedade tolerante, onde ninguém possa ser perseguido pela sua religião ou etnia. Depende de nós, sobretudo através da educação das novas gerações, que se cultive o respeito pela diversidade religiosa e cultural para que não se repitam os erros do passado. Para isso, importa revisitar a História e conhecer as tragédias que o racismo e o anti-semitismo, ou por outro lado, o nazismo, o comunismo ou o maoísmo, provocaram. De igual forma, com idêntica relevância, é fundamental a aprendizagem sobre outras culturas e outras religiões, ganhando-se afecto pela riqueza que nos proporcionam. Assim se anulará o ambiente, marcado pela ignorância, pelos estereótipos e pelos preconceitos, em que todos os radicalismos progridem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-7597044430647538855?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/7597044430647538855/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=7597044430647538855' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7597044430647538855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7597044430647538855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/11/somos-todos-judeus.html' title='&quot;Somos todos judeus&quot;'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1694236263730522429</id><published>2007-11-01T18:04:00.000Z</published><updated>2007-11-01T18:05:32.811Z</updated><title type='text'>Sempre mais alto!</title><content type='html'>Numa odisseia sem fim, João Garcia tem vindo a conquistar os picos mais altos do mundo. Agora, num ciclo entre montanhas acima dos 8.000 metros de altitude, o nosso alpinista-mor continua o seu caminho. Tem já oito “troféus” e quer chegar ao restrito grupo de 14 pessoas que conseguiram vencer os 14 cumes montanhosos mais imponentes. Neste roteiro, em Julho passado, chegou ao pico da segunda montanha mais alta do mundo, a K2, com 8.611 metros de altitude, na fronteira entre a China e o Paquistão. A última etapa durou 15 horas, sem o auxilio de oxigénio artificial e enfrentando uma morfologia do terreno muito hostil. Mas venceu-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrar nos quarenta anos, este português notável diverte-se a procurar ultrapassar-se todos os dias. Quem já o viu e ouviu, por exemplo em entrevistas na televisão, ficou, por certo, impressionado com a sua calma e serenidade. É como se não fosse nada. Mas chegar onde nunca tinha ido, transformar obstáculos em vitórias, tornar possível o impossível são alguns dos seus desígnios. Ele é a expressão vivida de um “sempre mais alto”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom, no entanto, recordar que nesta carreira notável de João Garcia nem tudo tem sido rosas. Numa das escaladas, quando conquistou o Everest (8.848 m), viu a sua vida em perigo, perdeu as pontas dos dedos e do nariz e o seu companheiro de escalada, Pascal Debrouwer, morreu na descida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos de nós interrogar-nos-emos sobre o sentido de vencer montanhas. Que acrescenta isso ao mundo? Os mais materialistas, de pés bem assentes na terra, perguntarão porquê gastar tempo e dinheiro com isto. Os mais medrosos, desdenharão da sua coragem, como é típico. Todos, pensaremos se é justo arriscar a vida nestas escaladas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente das respostas que cada um, na sua circunstância, encontre, é óbvio que João Garcia devia ser uma referência nacional. Como ele, todos nós, temos as nossas montanhas para vencer e riscos próprios para correr. Á nossa escala, no nosso quotidiano, muitos são os obstáculos com que nos deparamos. Alguns, por mais impossível que pareça, são tão agrestes como os picos do Everest. Perante eles, precisamos de encontrar coragem para não lhes virar as costas e determinação para os vencer. Competir connosco próprios para alcançar os mais altos cumes deveria ser a nossa ambição. Por isso, como Garcia, precisamos ambicionar ir sempre mais alto, numa espiral de aperfeiçoamento, em busca dos objectivos que traçámos para a nossa vida. E perante as inevitáveis derrotas e humilhações, precisamos estar decididos a recomeçar. De novo, com a mesma fé da primeira vez e com a sabedoria do que já aprendemos no amargo das derrotas. Dessa forma, transformaremos as cicatrizes em alavanca para a vitória certa que nos espera. E, um dia, quando a etapa final chegar, que nos encontre a lutar para chegar sempre mais alto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1694236263730522429?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1694236263730522429/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1694236263730522429' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1694236263730522429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1694236263730522429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/11/sempre-mais-alto.html' title='Sempre mais alto!'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-2915801518223341021</id><published>2007-10-02T23:37:00.001+01:00</published><updated>2007-10-02T23:37:26.421+01:00</updated><title type='text'>Sucesso no Atlântico</title><content type='html'>Sempre tive um fascínio muito especial por Cabo-Verde e pelo seu povo. Gente de uma terra pobre, sem recursos naturais e com escassez de água, tem sabido encontrar, através da sua fibra e carácter, a força para se desenvolver. Apostando forte no seu capital humano, mostra, dentro e fora de portas, que não há impossíveis para quem tem determinação e sabe para onde quer ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, Cabo-Verde viu, há algum tempo, ser reconhecida a evolução positiva da sua situação socio-económica, de tal modo que iniciou um período de transição, deixando o grupo dos países menos avançados para integrar o dos países de desenvolvimento médio. Por outro lado, em Abril passado, no relatório do Banco Mundial, eram elogiados os seus resultados na educação, com melhorias no sucesso escolar, sendo um dos três melhores países africanos nesse domínio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, surgiram mais duas evidências impressionantes. Dois rankings internacionais colocam Cabo Verde em lugares invejáveis no contexto africano. Por um lado, entre 48 países africanos, surge como o 4º melhor exemplo de boa governação, tendo subido dois lugares e ultrapassado mesmo a África do Sul. Neste índice da Fundação Ibrahim, só é superado pelas Maurícias e Seychelles. Por outro lado, ao nível da corrupção, medida pelo relatório da Transparência Internacional, entre 180 países, fica em 49º lugar, sendo entre os países africanos o terceiro com menor corrupção, depois do Botswana e da África do Sul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas avaliações internacionais são da maior importância e têm relevante significado. Sendo naturalmente correlacionadas, a boa governação e a baixa corrupção, constituem condições necessárias para o combate à pobreza e para o desenvolvimento. Sem elas, torna-se manifestamente impossível melhorar a vida das populações. Toda a riqueza que existe – em recursos naturais ou gerada a partir do trabalho – esvai-se sem efeito útil. Enriquecem alguns, mas o povo desespera. Ora, Cabo-Verde tem mostrado que é possível fazer diferente. E isso é uma boa notícia para todo o continente africano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta evolução notável não está isenta de ameaças. Os riscos da contaminação pelo tráfico de droga e de armas e do crescimento descontrolado em torno de uma indústria do turismo em explosão, constituem aspectos a ter em atenção pelas autoridades cabo-verdianas para que não se perca o que tanto custou a alcançar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste contexto, o apoio que Portugal pode e deve continuar a dar a Cabo-Verde, reforçando o que tem vindo a ser feito, faz todo o sentido. Para além do apoio bilateral, o nosso empenhamento para que as negociações de Cabo-Verde com a União Europeia para a consagração de um estatuto de parceiro privilegiado, deve constituir uma prioridade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabo-Verde é uma razão de esperança na viabilidade do progresso da humanidade e na autodeterminação dos povos. Com inteligência e com esforço, pelo seu pé e sabendo aproveitar bem as ajudas recebidas, tem feito um caminho que a todos ensina. Em África e fora dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-2915801518223341021?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/2915801518223341021/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=2915801518223341021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2915801518223341021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2915801518223341021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/10/sucesso-no-atlntico.html' title='Sucesso no Atlântico'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-852931786487178028</id><published>2007-10-02T23:36:00.001+01:00</published><updated>2007-10-02T23:36:38.973+01:00</updated><title type='text'>O mercado e a Educação</title><content type='html'>Hoje é dia de heresia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ser bem conhecida a aversão do sistema educativo ao mercado e ao consumo, talvez houvesse algo a aprender com esse outro mundo. A atenção colocada no estudo do consumidor, dos seus gostos e dos seus comportamentos, precede quase sempre a acção de lançamento de um produto ou serviço para o mercado. Esta atenção centrada no cliente-consumidor foi simultaneamente causa e consequência de uma importante revolução na correlação de forças entre as partes. A diversidade de oferta, a concorrência, a necessidade de fidelizar clientes, o risco de ser penalizado quando se cometem erros, a urgência de permanentemente ouvir as sugestões, as críticas e as propostas dos consumidores fez com que os produtores de bens ou serviços deixassem de ser reis e senhores e se centrassem definitivamente nos clientes como caminho para o seu sucesso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta comparação, que pode soar a heresia no contexto do sistema educativo, serve, neste caso, para sublinhar um dos mecanismos de funcionamento do mercado – o perceber muito bem o alvo da comunicação. O investimento realizado em estudos de mercado, observatórios e, mais recentemente, nos serviços de atendimento ao cliente, mostram quão importante é conhecer e compreender o cliente. E os resultados estão à vista. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Claro que a Educação não é igual à venda de sabonetes ou cereais. Todos sabemos disso. Nem se pode falar dos estudantes como de clientes, strictum sensu. No entanto, o que pode ser idêntico é a noção de que para comunicar com eficácia (e educar exige comunicar com a eficácia máxima) é indispensável compreender muito bem o nosso interlocutor. Isso obriga-nos a ir muito mais longe que o modelo educativo actual. Hoje, a Escola pede ao estudante que aprenda obedientemente o que se ensina, independentemente de se ensinar bem ou mal, ou mais grave ainda, se ensina o importante ou se se limita a acessórios. E como não cuida suficientemente de se avaliar a si própria, estranha o insucesso e simplifica a culpa, situando-a exclusivamente no aprendiz.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa opção radical de centragem no estudante não obriga, no entanto, a um atitude “seguidista” que torne o processo educativo refém de sondagens ou estudos de mercado. Há que saber situar esta atitude como ambiente indispensável para o sucesso do mecanismo interactivo do ensino/aprendizagem de saberes e competências essenciais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco à semelhança de quando se encontra alguém de uma língua/cultura diferente, é importante fazer uma aprendizagem da língua (ou no mínimo, ter uma terceira língua comum) e dos costumes para poder comunicar plenamente. Isso pode ser essencial, para expressarmos adequadamente os nossos pensamentos/sentimentos de forma que, no outro contexto cultural, seja perceptível o que dizemos. Assim torna-se igualmente necessário, no processo educativo, que os seus principais actores (pais, professores e outros educadores) saibam aprender a “língua” e os costumes dos “estrangeiros” (não de outra terra, mas de outro tempo) que vivem nas nossas escolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o sistema educativo não tornar hábito estruturante o estudo e a compreensão dos seus estudantes, em cada segmento do tempo e do espaço, corre o risco de elevada taxa de ineficácia e concluir como frustrante a sua acção.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-852931786487178028?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/852931786487178028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=852931786487178028' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/852931786487178028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/852931786487178028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/10/o-mercado-e-educao.html' title='O mercado e a Educação'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5143230724023214997</id><published>2007-10-02T23:35:00.001+01:00</published><updated>2007-10-02T23:35:18.290+01:00</updated><title type='text'>Com Scolari</title><content type='html'>Sete dias passados sobre a noite escura de Alvalade, pode ser que a poeira já tenha assentado e possamos voltar ao tema, com a serenidade e lucidez que faltaram nos últimos dias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recuperando o essencial da história, Portugal fez uma dupla jornada de futebol, com a Polónia e a Sérvia, que correu mal. De situação vitoriosa até cinco minutos do fim, consentimos, em cada jogo, um golo azarado que nos custou, no somatório, quatro pontos. No jogo de Alvalade, o cair do pano trouxe adicionalmente um episódio triste em que um jogador sérvio provocou e tentou agredir Luís Filipe Scolari – valendo-lhe um cartão vermelho do árbitro – e o técnico respondeu irreflectidamente com uma tentativa de agressão. No dia seguinte, o técnico da selecção portuguesa, em conferência de imprensa, pediu desculpa aos portugueses e à UEFA pela sua atitude. Estes são, sinteticamente, os factos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espantosamente, o resultado foi a crucifixão pública de Scolari, como bode expiatório da frustração nacional. Nem o pedido de desculpas foi suficiente. Extraordinário.. Ninguém poupou palavra duras, condenações veementes ou pedidos de demissão. Como se tudo o que Scolari já fez ao serviço da selecção fosse nada e se um erro fosse tudo. Que injustiça flagrante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos uma gente muito curiosa. Noutros tempos, numa atitude automática, gritaríamos – com razão - contra o árbitro (golo em fora-de-jogo), lamentaríamos o azar de sofrer um golo estranho a quatro minutos do fim e estaríamos, primeiro que tudo, a condenar o jogador sérvio que iniciou o episódio e a defender o nosso técnico. Agora, a irracionalidade voltou-se contra os da casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine-se, por um instante, que tínhamos tido um pouco menos de azar e os jogos tinham acabado com o resultado dos 80 minutos e que ninguém tinha perdido a cabeça. Nesta altura, estávamos apurados para o Europeu e a laurear o treinador que, mais uma vez, nos levava a uma grande competição internacional. O nosso herói!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que os heróis também erram. São humanos. Mas poucos, no entanto, o admitem e pedem desculpa. E essa foi a grandeza de Luís Filipe. Quantos dos nossos heróis públicos que cometeram erros foram capazes de, em menos de 24 horas, pedir desculpa? Alguns, hipocritamente, sublinharam que, ainda assim, Scolari não tinha pedido desculpa ao jogador. Mas, era expectável fazê-lo, unilateralmente, quando a agressão foi iniciada pelo sérvio? Honestamente: é assim que cada um nós faz, na sua vida? Bom era...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quatro jogos decisivos para o apuramento para o Euro, em que todos seremos poucos para não falhar o objectivo, deixámos vir à superfície a nossa veia suicida que Unamuno falava. Neste caso, além da insensata tendência suicida, mostramos outro péssimo defeito: a ingratidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, hoje e ainda a tempo, importa dizer: Scolari, estamos contigo, nos bons e, sobretudo, nos maus momentos. Os erros reconhecidos e emendados só servem para aprender. Vamos em frente! Esperam-nos quatro vitórias...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5143230724023214997?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5143230724023214997/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5143230724023214997' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5143230724023214997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5143230724023214997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/10/com-scolari.html' title='Com Scolari'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-8142205160882056510</id><published>2007-10-02T23:34:00.001+01:00</published><updated>2007-10-02T23:34:42.543+01:00</updated><title type='text'>Sempre mais alto</title><content type='html'>Numa odisseia sem fim, João Garcia tem vindo a conquistar os picos mais altos do mundo. Agora, num ciclo entre montanhas acima dos 8.000 metros de altitude, o nosso alpinista-mor continua o seu caminho. Tem já oito “troféus” e quer chegar ao restrito grupo de 14 pessoas que conseguiram vencer os 14 cumes montanhosos mais imponentes. Neste roteiro, em Julho passado, chegou ao pico da segunda montanha mais alta do mundo, a K2, com 8.611 metros de altitude, na fronteira entre a China e o Paquistão. A última etapa durou 15 horas, sem o auxilio de oxigénio artificial e enfrentando uma morfologia do terreno muito hostil. Mas venceu-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrar nos quarenta anos, este português notável diverte-se a procurar ultrapassar-se todos os dias. Quem já o viu e ouviu, por exemplo em entrevistas na televisão, ficou, por certo, impressionado com a sua calma e serenidade. É como se não fosse nada. Mas chegar onde nunca tinha ido, transformar obstáculos em vitórias, tornar possível o impossível são alguns dos seus desígnios. Ele é a expressão vivida de um “sempre mais alto”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom, no entanto, recordar que nesta carreira notável de João Garcia nem tudo tem sido rosas. Numa das escaladas, quando conquistou o Everest (8.848 m), via a sua vida em perigo, perdeu as pontas dos dedos e do nariz e o seu companheiro de escalada, Pascal Debrouwer, morreu na descida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos de nós interrogar-nos-emos sobre o sentido de vencer montanhas. Que acrescenta isso ao mundo? Os mais materialistas, de pés bem assentes na terra, perguntarão porquê gastar tempo e dinheiro com isto. Os mais medrosos, desdenharão da sua coragem, como é típico. Todos, pensaremos se é justo arriscar a vida nestas escaladas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independentemente das respostas que cada um, na sua circunstância, encontre, é óbvio que João Garcia devia ser uma referência nacional. Como ele, todos nós, temos as nossas montanhas para vencer e riscos próprios para correr. Á nossa escala, no nosso quotidiano, muitos são os obstáculos com que nos deparamos. Alguns, por mais impossível que pareça, são tão agrestes como os picos do Everest. Perante eles, precisamos de encontrar coragem para não lhes virar as costas e determinação para os vencer. Competir connosco próprios para alcançar os mais altos cumes deveria ser a nossa ambição. Por isso, como Garcia, precisamos ambicionar ir sempre mais alto, numa espiral de aperfeiçoamento, em busca dos objectivos que traçámos para a nossa vida. E perante as inevitáveis derrotas e humilhações, precisamos estar decididos a recomeçar. De novo, com a mesma fé da primeira vez e com a sabedoria do que já aprendemos no amargo das derrotas. Dessa forma, transformaremos as cicatrizes em alavanca para a vitória certa que nos espera. E, um dia, quando a etapa final chegar, que nos encontre a lutar para chegar sempre mais alto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-8142205160882056510?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/8142205160882056510/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=8142205160882056510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/8142205160882056510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/8142205160882056510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/10/sempre-mais-alto.html' title='Sempre mais alto'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-4795173010466181905</id><published>2007-10-02T23:33:00.000+01:00</published><updated>2007-10-02T23:34:06.534+01:00</updated><title type='text'>Três Ases</title><content type='html'>Por alguma razão teremos nas canções de escárnio e maldizer um dos primeiros referenciais da nossa literatura. Desde sempre, a má-língua é o passatempo nacional preferido e o “cortar na casaca” figura como o melhor que somos capazes na costura social. Entre todos os alvos, na liderança de qualquer ranking de destinatários de eleição, estão os políticos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na boca de qualquer português que se preze está sempre pronta uma história, um impropério, uma chacota ou uma acusação dirigida a um político. A todos e a todo o tempo. Qual saco de boxe, sofrem todos os murros da nossa desconfiança. Neste contexto, entre as profissões mais consideradas, não espanta que a política surja em último lugar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se nega aqui que existam maus exemplos. É verdade que pela política passaram tristes casos de corrupção, de incompetência, de demagogia ou de falta de sentido de serviço público. Mas será só na política que isso acontece? Serão os políticos portugueses piores do que a média dos outros portugueses? Ou, tal como em qualquer área, na política há um inevitável – ainda que inaceitável - coeficiente de incompetentes e de corruptos? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proponho um exercício. Em que áreas Portugal dispõe, nos nossos dias, de vultos que se destaquem a nível mundial? No futebol, certamente, temos uma mão cheia de personalidades de nível planetário. No atletismo, temos dois campeões do mundo e mais alguns notáveis. Na literatura, teremos Saramago e pouco mais. Na ciência, Damásio é o único exemplo evidente. Empresários? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na política? Há políticos portugueses reconhecidos internacionalmente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durão Barroso preside ao Conselho da União Europeia, António Guterres é o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados e, mais recentemente, Jorge Sampaio foi escolhido para uma relevante função no quadro das Nações Unidas, enquanto responsável da Aliança de Civilizações. Pois é...três ases, de nível superior, à escala global. Três políticos portugueses que, no cenário internacional, mereceram confiança de parceiros exigentes, em processos de selecção competitivos. Claro que alguns de imediato, desdenharão deste facto. Mas o que é certo é que fica a dúvida se não serão os políticos portugueses melhores que a média nacional nas restantes áreas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, talvez valesse a pena rever criticamente a nossa atitude “anti-políticos” tão arreigada, quanto irracional. O exercício da política é indispensável para a vida em sociedade. O serviço público e a defesa do bem comum são deveres essenciais que devem ser cumpridos através da política. Desincentivar a actividade política é suicida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos ser críticos e exigentes perante a política, sem dúvida. Tanto mais exigentes, quanto mais coerentes formos. Nomeadamente fazendo, através da participação política, melhor do que o que desdenhamos. Porque, na verdade, há uma outra categoria onde teremos certamente personalidades de nível internacional: na categoria de treinadores de bancada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-4795173010466181905?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/4795173010466181905/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=4795173010466181905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4795173010466181905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4795173010466181905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/10/trs-ases.html' title='Três Ases'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-6965134989452409775</id><published>2007-08-23T15:32:00.000+01:00</published><updated>2007-08-23T15:33:35.338+01:00</updated><title type='text'>Futebol intercultural</title><content type='html'>Começou mais uma Liga de futebol. Esta edição afirma, de uma forma inequívoca, uma tendência em que o futebol se define, através dos seus principais actores, como um fenómeno global, sem fronteiras e fortemente internacionalizado. Cada campeonato de futebol na Europa – não fugindo Portugal à regra – vê competir no seu seio equipas multinacionais, compostas por jogadores de todo o Mundo. Cada clube é, de certa maneira, uma selecção mundial de valores futebolísticos, consoante a capacidade financeira e de selecção de talentos de cada equipa dirigente, não importando a sua origem nacional ou étnica. Assim, a edição de 2007/2008 da Liga portuguesa tem inscritos 215 atletas estrangeiros, que representam 52% do total de jogadores este ano. Provêem de 39 países diferentes, de quatro continentes e falam 17 línguas diferentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destacam-se neste cenário, entre outros, o Boavista com 14 nacionalidades na mesma equipa, incluindo jogadores do Liechtenstein, Mali, Nigéria, Áustria ou França. Também o Benfica regista dez nacionalidades de quatro continentes, juntando um chinês com norte-americano ou um paraguaio com costa-marfinense. Este cenário faz do futebol um dos mais interessantes terrenos do diálogo intercultural. A partir das diferenças de línguas e de culturas, cada conjunto heterogéneo de jogadores vai ter de se transformar numa Equipa. Criar unidade a partir da diversidade. Jogar articulado em função de um objectivo comum. Viver em regime de interdependência, onde ninguém vence sozinho. Não há melhor metáfora do que a que nos espera no futuro próximo. O futebol é, neste aspecto, um laboratório das novas sociedades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, naturalmente, outro eixo desta realidade. Também não há fronteiras para os jogadores – e treinadores – portugueses, estando muitos dos nossos melhores espalhados por vários clubes no estrangeiro, também em equipas fortemente multiculturais. Quando olhamos a nossa selecção nacional, verificamos que 2/3 dos jogadores não jogam em Portugal. Com vantagens evidentes para eles e para todos nós. Não só afirmam o nome de Portugal nos vários campeonatos onde vingam (basta pensar em Ronaldo ou Ricardo Carvalho em Inglaterra) como adquirem uma experiência internacional que os faz desenvolver fortemente as suas capacidades. E dessa evolução tem beneficiado, nomeadamente, a nossa Selecção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns mais ‘nacionalófilos’, seguidores de uma desfasado sentimento de ‘orgulhosamente sós’, contestam esta tendência, preferindo uma versão mais paroquial do campeonato nacional. Estão no seu direito, mas em contramão com o curso da História. As nossas sociedades serão cada vez mais multiculturais como consequência de uma forte mobilidade humana. Encontraremos a diversidade cultural e étnica como regra e vamos ter de a saber gerir. A globalização também se impõe no futebol, como em toda a sociedade. E se a soubermos gerir, tiraremos grandes benefícios dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã&lt;/em&gt;, 15/8/2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-6965134989452409775?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/6965134989452409775/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=6965134989452409775' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6965134989452409775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6965134989452409775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/08/futebol-intercultural.html' title='Futebol intercultural'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-9178675729118176039</id><published>2007-08-23T15:31:00.000+01:00</published><updated>2007-08-23T15:32:27.516+01:00</updated><title type='text'>O salário dos políticos</title><content type='html'>Numa entrevista concedida ao ‘Expresso’, no passado sábado, o dr. Paulo Macedo, ex-director-geral dos Impostos, desfia um conjunto de argumentos que explicam muito do seu sucesso. Não é comum, em Portugal, termos um alto funcionário público, em funções particularmente sensíveis co-mo a cobrança de impostos, que tenha granjeado um tão largo apoio e expressivo respeito. Torna-se cada vez mais evidente que se perdeu – por agora – um servidor público de primeira água. Fica-se na expectativa de que, mais tarde ou mais cedo, Paulo Macedo possa regressar e, particularmente, pondere uma intervenção política, enquanto espaço nobre de serviço à comunidade. Fazem falta homens como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos muitos aspectos relevantes da entrevista, a questão do salário dos políticos e dos altos funcionários do Estado mereceu destaque. É dos temas mais glosados na demagogia populista, no quadro sempre apreciado de ‘malhar’ nos políticos. Por isso, ninguém ousa corrigir esta situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando para os cargos de eleição ou nomeação política, devemos situá-los como missões de serviço público. Durante um período de tempo, obrigatoriamente limitado, alguns são chamados a cumprir esse serviço ao bem comum. Sendo naturalmente um trabalho a tempo inteiro e de dedicação exclusiva, deve ser remunerado. Como? Devemos referenciá-los ao salário médio dos portugueses ou ao topo à escala da Função Pública? Este sistema de hierarquia leva-nos, como denuncia Paulo Macedo, a que o Presidente da República ou o primeiro-ministro ganhem tanto quanto um jovem director de marketing de uma empresa média e significativamente menos do que qualquer gestor público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se organizássemos o sistema remuneratório atendendo à complexidade e desgaste do cargo ou aos valores de mercado para funções equiparadas, aceitando pagar salários ao nível do mundo empresarial, afastaríamos ainda mais os cidadãos da política e a situação tornar-se-ia insustentável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio, no entanto, que há uma solução intermédia e equilibrada. &lt;strong&gt;Sendo uma missão de serviço público, a dimensão salarial no exercício de cargos políticos deveria ser neutra. Não devia contar nada. Isto é, o Estado deveria remunerar os políticos exactamente ao mesmo nível do que ganhavam anteriormente.&lt;/strong&gt; Com um valor apurado a partir da média dos últimos três anos dos seus rendimentos declarados no IRS, teríamos provavelmente o valor justo. Nuns casos mais alto, noutros mais baixo. Como era antes da política, assim se manteria. Este modelo traria várias vantagens. Desde logo, ninguém decidiria pelo exercício de um cargo político em função do vencimento, pois ficaria exactamente na mesma. Alguns não excluiriam liminarmente este serviço público, como hoje acontece, por perderem milhares de euros, nem outros se candidatariam, pois essa opção não lhes traria nenhuma melhoria em relação à sua situação financeira anterior. E, no fim, ganharíamos todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correio da Manhã, 8/8/2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-9178675729118176039?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/9178675729118176039/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=9178675729118176039' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/9178675729118176039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/9178675729118176039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/08/o-salrio-dos-polticos.html' title='O salário dos políticos'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-5545218618259029395</id><published>2007-08-23T15:29:00.000+01:00</published><updated>2007-08-23T15:31:12.243+01:00</updated><title type='text'>Meio vazio? Meio cheio?</title><content type='html'>É velha a história de quem, olhando o mesmo copo, o vê meio cheio ao lado de outra pessoa que o vê meio vazio. A realidade é assim mesmo: tem sempre esses dois lados, pois copos cheios, provavelmente, só no paraíso. A questão, no entanto, coloca-se quanto ao olhar tendencial que preferimos. Começamos por valorizar o que já temos ou preferimos olhar para o que falta? E quando o fazemos qual a consequência que daí retiramos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um de nós recorda imediatamente uma mão cheia de amigos que não conseguem ver mais do que copos sempre meio vazios. Não dão oportunidade para ver o lado positivo da realidade. Aliás, esse é um vício nacional e o pior do nosso fado. Já mais difícil é encontrar quem seja um caso típico de ver sempre o copo meio cheio. Parece mal, na nossa terra, ser optimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos tempos, não é preciso, aliás, procurar muito para encontrar exemplos ilustrativos da onda negativa. Há dias, após o anúncio da extensão do abono de família, até ao terceiro mês de gravidez e a sua duplicação e triplicação para segundo e terceiro filhos, o título de um jornal sublinhava que talvez 10% dos nascimentos ficasse fora deste benefício e outras vozes limitaram-se a dizer que era insuficiente e tardio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Copo meio vazio, pois. No dia seguinte, perante 400 milhões de euros de investimento na modernização do sistema educativo, nomeadamente através do forte reforço da disponibilização de tecnologias de informação na sala de aula, os comentários dividiram-se entre as tecnologias não serem o mais importante ou sobre episódio das crianças contratadas pela agência que preparou o evento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, perante o lançamento da iniciativa ‘Casa Pronta’, que permite tratar com celeridade as questões de compra e venda de casa, prefere-se sublinhar a eventual inconstitucionalidade, despertada por um parecer jurídico encomendado pelos notários, que se sentem prejudicados nos seus interesses por este serviço. Poderíamos continuar a desfiar exemplos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que parte deste fenómeno decorre dos jogos políticos no seu pior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maldizer, mesmo perante as coisas objectivamente boas, vive do bota abaixo ou na melhor das hipóteses do discurso do copo meio vazio. Note-se que se essa crítica fosse séria, poderia não ser má. Seria, nesse caso, um incentivo para encher o que falta do copo e, assim, seria útil para transformar a realidade. Mas não. Com esta atitude só se cultiva o desânimo e a descrença. Nunca gozamos o que já temos e não transformamos o que nos falta através da ambição de o conquistar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não nos contentamos, nem nos mobilizamos. Simplesmente, lamentamo-nos. E quem se lamenta, não chega a lado nenhum.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande desafio para todos nós passa por cultivar uma atitude simultaneamente positiva e realista, de quem reconhece que o copo está, ao mesmo tempo, meio cheio e meio vazio. Mas só com um olhar positivo, registando que o copo já está meio cheio, ganharemos energia para encher o que falta. E que ninguém encherá por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correio da Manhã, 1/8/2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-5545218618259029395?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/5545218618259029395/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=5545218618259029395' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5545218618259029395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/5545218618259029395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/08/meio-vazio-meio-cheio.html' title='Meio vazio? Meio cheio?'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-7147378156253680806</id><published>2007-08-23T15:26:00.000+01:00</published><updated>2007-08-23T15:29:00.306+01:00</updated><title type='text'>Abstenção aos impostos?</title><content type='html'>Se todos somos obrigados a pagar impostos não deveríamos igualmente ser obrigados a votar? Ou, visto ao contrário, se podemos não votar porque não admitir também a abstenção nos impostos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora possa parecer absurdo formular estas perguntas, creio que não o é. Ninguém está dispensado de pagar impostos, porque se considera – e bem – que nenhum de nós está isento de contribuir para o esforço colectivo de gerar receitas para que o Estado cumpra as suas funções, seja as de soberania, seja outras de cariz social, como a educação, a saúde ou a solidariedade social. Não há, por isso, a figura da abstenção no pagamento de impostos, ainda que alguém não concorde com a forma como são administrados. Todos somos convocados a dar o nosso contributo, porque o Estado somos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será a democracia em si mesma – representada nomeadamente através do voto em eleições – um bem menor do que qualquer uma destas funções do Estado sustentadas pelos nossos impostos? A resposta peremptória é ‘não’: a construção da democracia é um bem maior do que o financiamento do Estado. É mesmo através do sistema democrático representativo que se determinam a defesa do bem comum e a administração do interesse público. Se discordamos desta gestão é através da participação cívica – nomeadamente votando – que devemos expressar a nossa opinião. Por isso, ninguém pode ficar dispensado de expressar a sua voz, através dos mecanismos democráticos. Votar, mais do que um direito, é um dever cívico. A desvalorização da democracia, decorrente de ser igual ir votar ou não, produz uma degradação na qualidade do regime que, a prazo, todos pagaremos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem isto ainda a propósito das últimas eleições intercalares para a Câmara de Lisboa, que evidenciaram uma taxa de abstenção altíssima. Seis em cada dez lisboetas não votaram. Essa é, aliás, a tendência crescente dos últimos actos eleitorais. Na análise explicativa que se seguiu assistiu-se a um discurso desculpabilizador dos eleitores. Ainda que sejam motivos com eventual fundamento, constituem uma resposta errada. A verdade é que não é admissível que um cidadão, podendo, não participe numa eleição. É a negação da democracia. &lt;strong&gt;Amargo é imaginar que durante tantos séculos, multidões lutaram pelo direito de voto: as minorias étnicas, as mulheres, os jovens... e agora que esse direito está adquirido outras multidões desprezam-no.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mais, o voto contempla a expressão de todos as vontades. Da opção por qualquer candidatura até à recusa de qualquer uma deles – voto branco – ou até à expressão de uma qualquer irritação, que anule o voto. Também por isso, não é admissível a abstenção. O nosso sistema democrático deveria reconsiderar a obrigatoriedade do voto, tal como acontece no Brasil. A penalização em relação às faltas injustificadas deveria ter como consequência, inspirada na Grécia Antiga, a perda temporária do estatuto de cidadão. Se não cumprir o dever de votar é demitir-se do estatuto de cidadão, que seja então assumido esse ónus pelos abstencionistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correio da Manhã, 25/7/2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-7147378156253680806?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/7147378156253680806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=7147378156253680806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7147378156253680806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7147378156253680806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/08/absteno-aos-impostos.html' title='Abstenção aos impostos?'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-66963124968965797</id><published>2007-07-23T01:58:00.000+01:00</published><updated>2007-07-23T01:59:48.421+01:00</updated><title type='text'>Casa António Vieira</title><content type='html'>Celebra-se hoje mais um aniversário da morte do ilustre Pe. António Vieira (1608/1697). Este português notável foi polifacetado e desconcertante, tendo sido missionário, político, diplomata, orador e intelectual, num século conturbado e inquietante. Vieira é, ainda e sempre, uma referência da humanidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem de Fé, notabilizou-se pelos seus monumentais sermões, mas também pela missão exemplar de dedicação aos índios do Brasil. Para eles conseguiu, contra fúria dos colonos, em 1655, um decreto do rei que os protegia contra a escravidão feroz. Quando poucos viam nos índios sequer seres humanos, Vieira esteve a seu lado, aprendendo as suas línguas e correndo perigos inimagináveis nas selvas profundas do Maranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intensamente empenhado no destino da sua Pátria - para a qual sonhou a utopia do Quinto Império - foi pragmático na política e controverso na diplomacia, mas acabou sempre à margem do politicamente correcto. Desafiou o futuro e, procurando perscrutar os seus caminhos, imaginou novos mundos. Enfrentou por isso, inimigos infindáveis, entre os quais, todos os poderes instituídos: a Corte, a Inquisição e os interesses económicos. Estando no mundo, Vieira não era daquele mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também para a cultura portuguesa, a sua memória ressoa como um dos nossos maiores expoentes. Exímio arquitecto das palavras e dos conceitos, orador distinto, mereceu de Pessoa o título de Imperador da Língua Portuguesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Polémico, como poucos, António Vieira não era, no entanto, um ser perfeito, e até nisso era profundamente humano. Não ficou como uma lenda, nem sequer como um santo. Sonhou sonhos impossíveis, viu miragens que se esfumaram e errou muitas das suas geniais suposições. Mas nunca teve medo, nem se ficou no conforto dos moles. Foi ousado, corajoso e fiel à sua consciência, por mais que isso implicasse ir contra o Mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal, como tantas vezes acontece perante os nossos maiores, tem-lhe dedicado pouca atenção. Para o próximo ano, em 6 de Fevereiro de 2008, comemorar-se-á o IVº Centenário do seu nascimento, ocorrido nesta cidade de Lisboa, junto à Sé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos defendido que, por essa ocasião, deveria ser criada em sua memória, a Casa António Vieira, por forma a que se tornasse mais presente a sua herança. Preferencialmente junto à Sé de Lisboa, seria um espaço privilegiado para que se continuasse a celebrar esta forma de ser português, sempre aberta ao mundo, através de um museu, de uma biblioteca e de um centro de estudos.  Da Câmara de Lisboa, do Governo da República e de mecenas interessados depende a concretização da Casa António Vieira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no tempo de Vieira, Portugal precisa de se ultrapassar e reencontrar o seu destino no mundo. Como na sua época, o desafio do interculturalismo, da defesa da diversidade, do diálogo entre crentes e não crentes, bem como a promoção da dignidade humana são desafios em agenda. Por isso, a Casa António Vieira seria uma excelente forma de, quatro séculos depois, continuar a construir a história do futuro. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Correio da Manhã, 18 Julho 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-66963124968965797?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/66963124968965797/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=66963124968965797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/66963124968965797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/66963124968965797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/casa-antnio-vieira.html' title='Casa António Vieira'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-6393695317316223310</id><published>2007-07-23T01:57:00.000+01:00</published><updated>2007-07-23T01:58:22.679+01:00</updated><title type='text'>Respeito</title><content type='html'>Há dois anos, assistindo a uma cerimónia oficial no Canadá, registei a solenidade com que a assistência de uma conferência internacional se levantava para receber o mais alto representante da nação. Não raras vezes vi repetido este gesto de respeito institucional em diferentes países, perante diversos órgãos de soberania. Excepto, por regra, em Portugal. Na mesma conferência internacional, aquando da sua realização no nosso país, toda a gente permaneceu sentada, perante a entrada do Primeiro-ministro na sala. Vi já, repetidas vezes, em visitas de altos responsáveis do Estado a uma qualquer instituição, os funcionários permanecerem sentados enquanto são cumprimentos pelo visitante. Pior ainda, naturalmente, quando se vão registando insultos ou enxovalhos a um Presidente da República ou Primeiro-ministro, em nome de uma suposta liberdade de expressão. Não se trata, note-se, de uma questão antiquada de “boa-educação”, embora também o seja. É muito mais do que isso. Trata-se do valor que atribuímos às instituições e ao respeito por quem é por elas representado, ou seja, por todos nós.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dessacralização do poder que se desenvolveu em Portugal após o 25 de Abril teve, certamente, os seus méritos. A aproximação das instituições ao povo, e vice-versa, favorece a democracia. O afastamento do temor reverencial ajuda à participação e coloca-nos num patamar de igualdade cívica. Mas isso não significa – longe disso – a destruição do respeito institucional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As instituições do Estado – entre outras - merecem todo o respeito. Particularmente os órgãos de soberania, enquanto legítimos representantes do povo, são detentores de uma dignidade que deve ser preservada. Não se trata simplesmente do senhor A ou da senhora B, que por si só já mereceriam o respeito devido a qualquer pessoa, mas sim de quem, representando o Estado, nos representa a todos nós. Isto, não equivale, porém, à ausência de crítica. Pelo contrário: quanto mais respeitadores, mais exigentes para com os detentores de cargos públicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente, por exemplo, que esta exigência de respeito institucional não se aplica exclusivamente aos cidadãos anónimos. A responsabilidade de evidenciar respeito pelas instituições começa, desde logo, nos seus próprios protagonistas. Por exemplo, o triste espectáculo que alguns deputados dão ao desrespeitarem completamente, em pleno hemiciclo, quem está no uso da palavra, conversando animadamente com os seus vizinhos ou lançando impropérios, não contribui para o prestígio da instituição. Não se pode pedir respeito por quem não se respeita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este respeito, no que se refere aos símbolos nacionais, teve, nos últimos anos, um grande avanço, curiosamente, através do futebol. Hoje em dia ninguém canta sentado o hino nacional, num qualquer estádio. Pelo contrário, de pé, vibramos com esse momento de sintonia colectiva. Será muito difícil estender essa atitude às instituições que nos representam? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 10 Julho 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-6393695317316223310?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/6393695317316223310/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=6393695317316223310' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6393695317316223310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6393695317316223310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/respeito.html' title='Respeito'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-8870033695146636611</id><published>2007-07-23T01:56:00.000+01:00</published><updated>2007-07-23T01:57:21.810+01:00</updated><title type='text'>As diferenças</title><content type='html'>É imaginável que, após dez anos passados no poder, um primeiro-ministro saia pelo seu pé, sem ser derrotado e seja aplaudido por amigos e inimigos? Que dele os adversários digam, na hora da sua saída, que “ninguém pode duvidar do seu imenso esforço em termos de serviço público”? Que outros – também adversários - refiram a sua “infalível cortesia”? Ou ainda, que o seu sucessor diga “o quer que venhamos a conseguir no futuro, consegui-lo-emos porque estamos sentados em cima dos seus ombros”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece uma história implausível, quase extraterrestre, tanto mais que não se trata de um elogio fúnebre. Mas assim aconteceu, na passada semana, com Blair, na sua despedida do Parlamento inglês. Ninguém lhe regateou os elogios que, na política, são escassos entre adversários. Quiseram fazê-lo de pé, numa ovação, para que não restassem dúvidas. O primeiro-ministro inglês, respondeu da mesma moeda, a todos – partiários e adversários - desejando o bem. Parece quase um retrato piegas, de filme cor-de-rosa. Tão habituados que estamos na política a não dar espaço nem crédito ao que é bom e belo, estranhamos este “happy end”. Os mais cínicos verão no aplauso só a alegria dos inimigos, ao ver partir aquele que nunca venceram, ou com uma ironia mais refinada, descortinarão entre os “amigos” o alívio de quem vê livre o lugar que ele ocupou. Mas não pode ser só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi por acaso que, como nunca tinha acontecido na história dos trabalhistas ingleses, este homem venceu três eleições seguidas, a última das quais já depois da invasão do Iraque. Blair representa bem uma gesta de políticos que, contra todos os incómodos, assumem a sua missão de serviço ao bem comum. Destacam-se porque acreditam no que fazem e fazem porque acreditam. E isto faz a diferença. Estão longe de ser perfeitos, cometem erros e enganam-se, como aconteceu com este notável político com a opção injustificada da Guerra do Iraque. Mas mesmo no erro - reconhecido - não perdem a sua aura. Continuam a inspirar-nos confiança, apesar de tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há igualmente uma outra diferença assinalável. O sistema político inglês, mesmo com as suas falhas, mostra em muitas ocasiões uma fibra notável. A dignidade do aplauso final, na mesma sala onde semanalmente os deputados da oposição confrontaram duramente o primeiro-ministro durante uma década, revela uma qualidade política invejável. Eles fazem combate político como quem joga râguebi. É inspirador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dez anos, Blair conseguiu, entre muitas outras coisas, que a economia do seu país tivesse um desenvolvimento notável, que a paz nascesse na Irlanda do Norte e que o Reino Unido se aproximasse da União Europeia. Saiu voluntariamente, deixando o seu país estável e equilibrado. Agora, segue-se outro desafio ainda mais difícil: ser co-construtor da paz no Médio Oriente, entre Israel e a Palestina. É uma boa notícia para Mundo que ele se dedique a essa missão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 4 Julho 2007 &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-8870033695146636611?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/8870033695146636611/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=8870033695146636611' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/8870033695146636611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/8870033695146636611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/as-diferenas.html' title='As diferenças'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-128305426694100439</id><published>2007-07-23T01:55:00.000+01:00</published><updated>2007-07-23T02:01:13.594+01:00</updated><title type='text'>Pela Europa</title><content type='html'>Desta forma – “Pela Europa” - quis Robert Schuman, um dos pais fundadores da União Europeia, definir a sua vocação determinada ao serviço de um novo futuro para os europeus, acabados de sair da IIª Guerra Mundial. Dessa semente, nasceram cinquenta anos de paz e de incomparável desenvolvimento económicos para os países membros. A poucos dias do início da presidência portuguesa da União Europeia, importa reafirmar essa determinação. Queremos continuar a lutar “pela Europa”. O nosso destino comum depende, porém, de sermos capazes de ultrapassar a crise e o cepticismo que se instalaram nos últimos anos, nomeadamente com o bloqueio a um novo modelo de organização da União. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas voltas do destino, vai cair em plena presidência portuguesa o momento crucial da redacção e aprovação de um novo Tratado constitucional, depois do falhanço do anterior. Esse processo poderá constituir um momento histórico de relançamento do projecto europeu. Se contar com o empenhamento de todos os países membros, Portugal poderá desempenhar uma função catalizadora desse processo e abrir um novo horizonte de esperança. Essa função de negociação e de formulação de consensos vai exigir muito dos nossos governantes envolvidos nessa tarefa, mas pode constituir um notável serviço à causa europeia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta Presidência não será exclusivamente marcada pela questão do Tratado. Já na próxima semana, pela primeira vez, vai realizar-se uma cimeira União Europeia/Brasil. Esta relação com um dos países em ascensão à escala global e com um papel central na América Latina, representa não só o cumprimento de uma estratégia de alargamento e reforço das relações externas da União Europeia, mas também o reforço da posição de Portugal no contexto europeu. Naturalmente, Portugal será, do lado da UE, a ponte privilegiada – mas não exclusiva – com o Brasil. Há que estar à altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, nos grandes desafios para a presidência portuguesa da EU, sublinham-se outras duas cimeiras: com os países do Mediterrâneo (EUROMED) e com os países africanos (UE/África). No contexto do Mediterrâneo, joga-se uma das fronteiras essenciais do designado “choque de civilizações”, com o mundo islâmico. A cooperação entre a margem norte e a margem sul é essencial para contrariar a radicalização e o desenvolvimento de condições favoráveis para os jihadistas. Por outro lado, em relação a todo o continente africano, destaca-se como principal desafio o combate à pobreza e ao sub-desenvolvimento. Nesses processos, não podemos esquecer que a diferença de rendimento entre as duas margens do Mediterrâneo é de 1 para 15, e com os restantes países africanos de 1 para 30. O apoio ao desenvolvimento sustentável e à repartição de riqueza são resultados essenciais a saírem destas cimeiras. Por Portugal, nos próximos seis meses, vão passar as grandes discussões sobre o futuro não só da Europa, de uma larga faixa da humanidade. Queira Deus que seja um tempo de nova esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 27 Junho 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-128305426694100439?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/128305426694100439/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=128305426694100439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/128305426694100439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/128305426694100439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/pela-europa-desta-forma-pela-europa.html' title='Pela Europa'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1302092808648122844</id><published>2007-07-23T01:54:00.001+01:00</published><updated>2007-07-23T01:54:51.070+01:00</updated><title type='text'>Um voto útil</title><content type='html'>Os eleitores são cada vez menos fiéis ao voto no mesmo partido. Oscilam entre várias opções, consoante o líder que as protagoniza, a equipa que o acompanha e as principais ideias que defende. É um sinal dos tempos e, a meu ver, espelha uma atitude inteligente, que privilegia a liberdade de voto, escolhendo o que em cada momento parece ser a melhor solução, em detrimento de uma pré-determinação do voto, independentemente do candidato, da equipa e do programa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se aproxima uma eleição, como acontece agora com as intercalares para a Câmara de Lisboa, muitos eleitores entram neste processo. Qualquer que tenha sido a sua opção anterior, no que se refere ao partido que mereceu o voto nas últimas eleições, tudo volta a estar em aberto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando de lado as emoções, pensando exclusivamente em termos racionais, quais são, na minha perspectiva, as duas perguntas essenciais nesse processo de escolha? Primeiro, qual o candidato que, na sua vida política anterior, deu mais provas de capacidade de liderança, com determinação e inteligência, para enfrentar situações críticas, como a que vive Lisboa? Segundo, qual é a equipa mais consistente e com mais condições de se centrar nos problemas da cidade e de lhes responder com eficácia, apresentando para tal um programa credível? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Lisboa, a escolha é alargada. E, felizmente, com várias opções credíveis. Mas, na minha perspectiva, a escolha mais sensata só pode ser António Costa e a sua equipa. Indiscutivelmente é um político inteligente, determinado e com um perfil de liderança. Foi capaz de, em etapas anteriores, mostrar energia e espírito reformista, afrontando interesses e dificuldades de monta. É sério e tem ideias claras, não temendo decidir e executar as políticas que lhe parecem ser as mais adequadas. É um bom líder para Lisboa. Acresce que a equipa que escolheu é de muito boa qualidade. Rompendo as lógicas “aparelhisticas” redutoras, trouxe novos nomes, com credibilidade e experiência em vários sectores, que inspiram confiança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último elemento a considerar nesta escolha é a situação de emergência em que se encontra a Câmara Municipal de Lisboa. Em ruptura financeira e em crise anímica, Lisboa precisa de uma liderança forte. Ora, em virtude de uma bizarria do sistema eleitoral autárquico, quem ganha as eleições, pode não ter condições para governar a cidade. Pode ficar em minoria no executivo municipal e ficar na contingência dos acordos pós-eleitorais e das dificuldades que estes encerram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, neste contexto, o voto de cada lisboeta deve ter em conta este factor. Deve ser um voto útil à boa governação da cidade. Assim, António Costa deve ganhar, com maioria absoluta, concentrando nele os votos de quem quer que Lisboa saia da crise. Se lhe foram dadas essas condições, daqui a dois anos cá estaremos para avaliar a sua governação da cidade. E voltar a escolher livremente o que então parecer melhor para a cidade.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 20 Junho 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1302092808648122844?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1302092808648122844/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1302092808648122844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1302092808648122844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1302092808648122844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/um-voto-til.html' title='Um voto útil'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-6018334949139399325</id><published>2007-07-23T01:52:00.000+01:00</published><updated>2007-07-23T01:53:17.884+01:00</updated><title type='text'>Olho por olho</title><content type='html'>Quarenta anos sobre a “guerra dos seis dias”, em que Israel derrotou, num abrir e fechar de olhos, o Egipto, a Síria e a Jordânia, numa manobra de antecipação ao que parecia ser a preparação de um ataque destes países, a paz continua muito longe daquela terra martirizada. Mesmo com muitas outras vitórias importantes, Israel não obteve, desde então, o seu objectivo central. Continua ameaçado e sem descanso. Por seu lado, os palestinianos, mesmo depois de muitas derrotas humilhantes não desistem, não dão tréguas, nem serão derrotados. Nem para uns, nem para outros, a paz está no horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste período, muitas foram as tentativas de encontrar um caminho para o fim do conflito israelo-palestiniano, sem que o sucesso fosse além de uns escassos momentos. Depois, tudo regressava. Um pouco pior que antes, dado o efeito penalizador de mais uma decepção. Mesmo quando as lideranças dos dois lados se mostravam mais abertas e os acordos de paz mais consistentes, os radicais sempre conseguiram fazer explodir qualquer entendimento. Bastava provocar um atentado, para que se desencadeasse uma resposta violenta e o fim do acordo de paz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma consequência deste processo, sempre marcado pela lei de talião, é metáfora antecipada por Gandhi: Olho por olho, o mundo acabará cego. Neste caso, perderão israelitas e palestinianos. Ninguém pode ganhar numa espiral de vingança. Por mais que isto seja evidente, ambas as partes teimam em seguir o caminho sem saída: atentado contra atentado, mortes pagas com mortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste círculo vicioso só haverá saída quando pelo menos uma das partes decidir não responder a uma agressão radical, recusando a reciprocidade da resposta, em benefício de um bem maior: a consolidação da paz negociada. Essa aparente fraqueza será uma força extraordinária na construção da paz e na libertação perante as armadilhas dos radicais inimigos. Paradoxalmente, estes só sobrevivem se forem alimentados com a vingança das suas vítimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns momentos da história tal solução esteve na raiz do sucesso de processos políticos complicados. Uma das mais recentes e impressionantes, foi a capacidade de não responder pela mesma moeda que tiveram os timorenses em 1999, antes do Referendo, quando diariamente eram provocados com mortes e ameaças. Se tivessem respondido, os defensores da independência teriam desencadeado uma nova guerra civil e o objectivo máximo – a realização do referendo - evaporar-se-ia. Sabendo conter a resposta, atingiram o seu objectivo, mesmo com sofrimento e vítimas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, caberá ao mais forte – Israel – ter a capacidade, na próxima volta da História em que existir um acordo de paz justo com a Autoridade Palestiniana, não responder “olho por olho...”, quando surgirem as provocações dos radicais. Só desta forma se passará o cabo das tormentas. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Correio da Manhã, 6 Junho 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-6018334949139399325?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/6018334949139399325/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=6018334949139399325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6018334949139399325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6018334949139399325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/olho-por-olho.html' title='Olho por olho'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-4610178905913472173</id><published>2007-07-23T01:51:00.001+01:00</published><updated>2007-07-23T01:51:53.681+01:00</updated><title type='text'>Livro  e/ou Multimédia?</title><content type='html'>Em tempo de Feiras do Livro, vimos assistindo, em diferentes contextos, a discursos inflamados entre “conservadores” e “progressistas”, entre apologistas da leitura acima de tudo – e sem mais nada ...– e defensores, a todo o custo, das maravilhas quase miraculosas do multimédia interactivo. Esta já clássica e esperada contraposição entre os defensores acérrimos da cultura do livro contra os igualmente fanáticos do novo multimédia é uma discussão estéril e sem sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, argumentam os defensores radicais do livro que este estimula a análise estruturada das ideias, a imaginação despida de imagens pré e totalmente definidas e o prazer da viagem pelas histórias lidas serenamente. É verdade. Somam também o contributo da leitura para o domínio da língua, para a capacidade de apreciar a arte da narrativa ou a beleza da poesia. E concluem, na sua análise, que tudo o que afaste os cidadãos, particularmente as crianças e jovens, dos bons caminhos da leitura é obra dos demónios da modernidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, quem está na trincheira do multimédia puxa pelos argumentos da riqueza decorrente da utilização integrada de vários meios (texto, imagem, som), da força do pensamento em rede, da imensidão de informação disponível na Internet ou num DVD, da “adrenalina” de um jogo de computador. Também têm razão. Mas enganam-se quando deliciados com o “sucesso de mercado” destes novos suportes, aos quais as crianças aderem com grande entusiasmo, já antecipam no horizonte o “fim do livro”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este combate que supõe uma mútua exclusão – ou pelo menos, a clara e inequívoca sobreposição de um mundo ao outro -  não se enquadra num tempo, que é o nosso, feito mais de “e” do que “ou”. Quem disse que estes meios são obrigatoriamente adversários? Porquê impor uma escolha difícil que não deve ser feita? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa olhar para a História. Se recuássemos alguns milénios até à invenção da escrita, ou somente uns séculos até ao tempo de Gutemberg, certamente assistiríamos a idêntica disputa entre os que se fixavam nas formas de comunicação preexistentes e os que se deixavam fascinar pelas novidades que o génio humano ia construindo. Essa disputa repetiu-se, evidentemente, nos novos confrontos com a rádio, com o cinema, ou, mais recentemente, com a televisão. Curiosamente, nenhuma destas sucessivas realidades eliminou a anterior. Apesar da normal perturbação que qualquer inovação provoca num ambiente estabilizado, o que podemos constatar é que estes vários meios se ajustaram, ganhando cada qual o seu espaço e sentido próprios, sem “abafar” todos os antecedentes. Mais: deixaram sempre espaço para que novas formas de comunicar fossem surgindo, acrescentando novos botões ao bouquet do conhecimento acessível.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É antigo o desejo de poder somar o melhor de vários mundos. Nem sempre isso é possível. Neste caso, parece não só possível, como indispensável. Essa será a conjunção de futuro.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 30 Maio 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-4610178905913472173?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/4610178905913472173/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=4610178905913472173' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4610178905913472173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/4610178905913472173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/livro-eou-multimdia.html' title='Livro  e/ou Multimédia?'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-2570143717348490486</id><published>2007-07-23T01:48:00.000+01:00</published><updated>2007-07-23T01:49:50.010+01:00</updated><title type='text'>Para além do ressentimento</title><content type='html'>Das forças que movimentam a História, o ressentimento não será das menores. O historiador francês Marc Ferro, a abrir o ciclo “Estado do Mundo” da Fundação Gulbekian, relembrava recentemente como muito do que vivemos se explica por este sentimento individual e colectivo, que atravessa séculos e continentes, enquanto força obscura, mas também como produto da História. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fruto de derrotas, massacres e iniquidades, gera-se a humilhação, particularmente dolorosa para aqueles que passam de dominadores a escravos. É curioso, a este propósito, recuperar a sabedoria milenar chinesa, que defende que “uma vitória não deve ser grande demais”, evitando sempre que possível a humilhação do adversário. Mas raramente os vencedores não cedem à tentação de esmagar o vencido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da humilhação nasce o ressentimento, que perdura e impulsiona para o ajuste de contas, de que a vingança é o principal sub-produto. Torna-se um veneno que invade toda a existência. Só que, como dizia Shakespeare, guardar ressentimento “é tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”. A vingança nunca é suficiente para o satisfazer. A obsessão vingativa que medra em ressentimentos antigos torna então o passado mais presente que o próprio presente. Dessa forma se explicam, segundo Ferro, quer a crise actual com os terroristas islamitas, quer outros fenómenos mais antigos, como a ascensão nazi depois da humilhação da Iª Guerra Mundial e do Tratado de Versailles, bem com a história de uma Polónia sucessivamente invadida e repartida por russos, alemães e suecos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Marc Ferro não ficou só nas tragédias que o ressentimento gerou ao longo da História. Trouxe também à memória, pelo menos, um milagre. Contra todas as expectativas, a longa história de humilhação que o apartheid havia produzido na África do Sul, com o consequente ressentimento de milhões de negros tratados com sub-humanos, não resultou numa explosão de vingança. E se ao historiador francês não sobrou tempo para aprofundar o porquê deste milagre, e nele encontrar uma chave de esperança para o Mundo, importa sublinhar que a paz só se poderá construir quando os ofendidos puderem e souberem transformar o seu ressentimento em perdão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dinâmica inspirada por Nelson Mandela, um dos homens mais notáveis de sempre, com o apoio de outros ilustres sul-africanos como o Bispo Desmond Tutu, transformou um potencial explosivo de ressentimento à espera de vingança em reconciliação e paz. Através da Comissão Verdade e Reconciliação, sem esquecer as humilhações, mas ao invés nomeando-as e condenando-as, valorizaram-se os factos, dignificaram-se as vítimas e refez-se a memória colectiva. Mas abriram-se também as portas ao perdão e à reconciliação, com o arrependimento do ofensor. Em defesa de um bem maior, diluíram-se os ressentimentos e deixou-se cair a vingança. Se a Humanidade souber fazer isso mais vezes, talvez encontre um futuro diferente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 23 Maio 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-2570143717348490486?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/2570143717348490486/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=2570143717348490486' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2570143717348490486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/2570143717348490486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/para-alm-do-ressentimento.html' title='Para além do ressentimento'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-7306718848647435842</id><published>2007-07-23T01:45:00.000+01:00</published><updated>2007-07-23T01:47:25.827+01:00</updated><title type='text'>Amor e Ódio</title><content type='html'>No final da Iª Guerra Mundial, os soldados dos dois lados das trincheiras estavam tão perto, há tanto tempo, que já trocavam cigarros. Nessa altura, deixavam de estar aptos a combater. Ninguém mata quem fuma do mesmo maço de cigarro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceber a natureza humana sempre se revelou um desafio impossível. Aqui “o número dos reais ultrapassa o número dos possíveis”. Somos sucessivamente surpreendidos por inesperadas manifestações que nem imaginávamos. De qualquer forma, é sempre útil regressar ao que se foi aprendendo sobre a essência do ser humano. Um dos contributos mais interessantes vem da Etologia, enquanto estudo da “biologia do comportamento”. Entre os seus autores, Eibl-Eibesfeldt (Amor e Ódio, Bertrand Editora) procura evidenciar traços de comportamento inatos e universais no ser humano, com paralelos significativos noutros seres vivos, com particular foco na agressividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem, tal como os outros animais, está pré-programado para reagir naturalmente de uma forma agressiva, em determinadas circunstâncias. Mas reconhecendo essa realidade - e encontrando até algumas vantagens na sua adequada integração na vida humana - importa ter consciência que para viver pacificamente em sociedade, a agressividade tem de ser condicionada - e mesmo bloqueada - na sua transformação em agressão. E isso só acontece através da ligações sentimentais entre seres humanos.  Aqui Eibesfeldt converge com Freud que defende que tudo aquilo que produz pontos comuns significativos entre os homens estimula sentimentos de comunidade, ou seja, de identificação. E esta inibe a agressividade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se explica que, por natureza, sejamos menos inibidos na agressividade para com desconhecidos. É curioso neste contexto o papel relevante do desenvolvimento das armas. Estas, quanto mais distantes operam, mais anulam os inibidores da agressividade, porque tornam mais anónimas as vitimas. Longe da vista, longe do coração. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, há uma esperança e um caminho. A tendência natural empurra-nos no sentido de tornar próximo o desconhecido. O autor sublinha que “a predisposição de estabelecer um laço de união com o próximo é na realidade tão grande que há sempre o “perigo” de dois grupos inimigos poderem estabelecer laços de amizade entre si, sempre que permaneçam muito tempo juntos”. Pelo contrário, diz Eibesfeldt, “a capacidade do homem rotular negativamente é, talvez, mais terrível que a própria descoberta das armas (..) O processo de transformar os adversários em seres odiados não consiste apenas em marcá-los como monstros mas também em despertar medo e desconfiança”. A capacidade de desumanizar o seu semelhante, torna possível eliminar as inibições da agressividade e conduzir também à eliminação da compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre o amor, que torna o estranho num próximo a quem não agredimos, e o ódio que desumaniza o “outro” e o torna por isso alvo preferencial da agressão, balança a nossa natureza. Com os resultados que se conhecem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 16 Maio 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-7306718848647435842?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/7306718848647435842/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=7306718848647435842' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7306718848647435842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/7306718848647435842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/amor-e-dio.html' title='Amor e Ódio'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-6568487621017777163</id><published>2007-07-23T01:38:00.000+01:00</published><updated>2007-07-23T01:45:27.780+01:00</updated><title type='text'>Começar de novo</title><content type='html'>Timor-Leste escolhe hoje o seu segundo Presidente da República. Depois de um ciclo que se encerra com muitas nuvens negras a pairar no horizonte, reflectindo meses de crise grave no primeiro país do século XXI, a esperança num novo tempo marca a expectativa dos mais optimistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A epopeia bem sucedida da sua libertação fez crer a alguns que Timor seria sempre uma uma história de sucesso. A concretização da última utopia do século passado, libertando um pequeno David das garras de um feroz Golias, assumia-se como garantia que todas as dificuldades nunca seriam suficientemente grandes para que não fossem ultrapassadas pela mesma vontade desse povo heróico. Ora essa expectativa foi ingénua e a realidade, com culpa de todos os protagonistas, tornou-se um pesadelo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fim da ocupação e do inimigo externo diluiu solidariedades internas. Enquanto na luta contra a Indonésia, todos se uniam - mesmo que se odiassem – agora, independentes e em democracia, as divisões vêm ao de cima. E, nestas circunstâncias, há muitas vezes a tentação política de substituir o inimigo externo por inimigos internos, para agregar novas solidariedades. Foi o que aconteceu, nomeadamente com a artificial divisão entre lorosaes e lorumonus, separando os timorenses conforme a sua origem do leste ou do oeste do país. A este processo não serão alheios interesses externos que, não sendo os únicos culpados, não deixam de ser preponderantes nestes desenvolvimentos. A definição das fronteiras marítimas de Timor, ainda em discussão e, com elas, o direito a estes recursos, não será estranha a esta crise. O petróleo e o gás natural nunca foram boa notícia para países frágeis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não devem os timorenses procurar fora desculpa para todos os erros. Não fora os erros políticos cometidos e nenhuma manobra de destabilização poderia ter sucesso. Resulta evidente, para quem conhece Timor, que o principal erro dos últimos anos decorre dum modelo de desenvolvimento que não assentou num efectivo combate à pobreza. A persistência de níveis de desemprego elevadíssimos, nomeadamente entre os jovens, a ausência de investimentos essenciais numa nova rede de infra-estruturas e a incapacidade de colocar a economia a funcionar foram os principais falhanços do poder timorense, protagonizado pela Fretilin. E todos os manuais de política são unânimes no resultado desse alinhamento que dá sempre turbulência, revolta e revolução. Para não fugir à regra, Timor comprovou que desemprego persistente mais pobreza aguda é sempre igual a convulsão social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as eleições presidenciais e legislativas deste ano, Timor-Leste procura um recomeço que permita sarar as feridas recentes e abrir um horizonte de esperança. Só a vitória de Ramos Horta pode garantir as condições para que se comece de novo. Com a esperança de ter aprendido com os erros cometidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 9 Maio 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-6568487621017777163?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/6568487621017777163/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=6568487621017777163' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6568487621017777163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/6568487621017777163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/07/comear-de-novo.html' title='Começar de novo'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-3886774817532814069</id><published>2007-05-03T13:59:00.001+01:00</published><updated>2007-05-03T13:59:34.029+01:00</updated><title type='text'>Querer não é poder</title><content type='html'>O cartaz largo, à beira da estrada, anuncia com estrondo: “Compre o que quiser. Pague quando puder.” acrescentando que, para concretizar este passo de magia, basta pedir o cartão x. Simples...mas desastroso. Esta é, nos nossos dias, uma das maiores pragas da sociedade portuguesa, que se desdobra dos electrodomésticos às viagens, da casa ao carro, do computador à conta do supermercado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de rimar, querer nem sempre é poder e, no consumo, confundir as duas coisas é terrível. Graças a uma enorme indústria de crédito ao consumo, dispondo de um marketing agressivo, multiplicaram-se as ofertas que, ilusoriamente, tornam possíveis opções que estariam fora das opções familiares. Tudo parece fácil. Basta pedir. O problema vem depois, quando se percebe que o passo foi maior do que as pernas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, em vez de poupar, para eventualmente um dia gastar, gastamos a contar com o que - eventualmente - vamos ganhar. A diferença é óbvia e fruto da mentalidade do tempo. Atrás de facilidades, compramos problemas. Actualmente, milhares de famílias sentem na pele as suas opções insensatas do endividamento que fizeram. Os juros afundam-nas e, quantas vezes, sofrem a humilhação de verem os bens que adquiriram serem penhorados ou retomados pelo credor. Segundo o Banco de Portugal, o endividamento familiar corresponde a 84% do Produto Interno Bruto e, em 2006, o crédito concedido aumentou 11,5%, numa tendência persistente desde os anos 90. Outros dados apontam para que cada família tem, em média, seis créditos (não só na área do consumo, mas também no crédito à habitação e automóvel), e o seu endividamento corresponde a 120% do rendimento. Ou seja deve mais do que a totalidade do seu rendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É urgente inverter este ciclo. Desde logo, pelo lado do consumidor. Quem entra no jogo do crédito fácil deve perceber os riscos que está a correr. Sabendo que quase nunca se destina a bens essenciais de consumo – longe vão os tempos do “fiado” na mercearia do bairro para poder dar jantar à família – as famílias têm de saber dizer não ao acessório que está para além das suas possibilidades efectivas. A solução seria simples e decorre do bom-senso. Primeiro é preciso poder, para depois concretizar o querer do consumo. Mas para isso é preciso não querer parecer mais do que se tem, nem ter mais do que se pode. Bem sei que são valores fora de moda. Mas ainda são os mais seguros e mais sólidos. Evitam grandes dissabores e dão particular sabor ao que se consegue. Por outro lado, é fundamental que as empresas que intervêm neste negócio sejam muito mais exigentes consigo próprias, na regulação ética e deontológica da sua actividade. O que equivale a ser muito mais selectivo na atribuição de crédito ao consumo e incomparavelmente mais sério na propaganda difundida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-3886774817532814069?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/3886774817532814069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=3886774817532814069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/3886774817532814069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/3886774817532814069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/05/querer-no-poder.html' title='Querer não é poder'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-3184092953522910824</id><published>2007-05-03T13:58:00.001+01:00</published><updated>2007-05-03T13:58:59.458+01:00</updated><title type='text'>Bem maior</title><content type='html'>Hoje, por cá, festeja-se a liberdade. A tal que só se dá por ela quando falta. Como o ar que respiramos. Banalizada, por vezes, através de um uso corriqueiro, outras tantas ocasiões confundida com aparências e simulações, torna-se moeda de pouco valor. Até pode parecer dispensável. Mas não é. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenhamos dúvidas: se algo caracteriza o melhor da natureza humana é a sua ânsia de liberdade e a sede de auto-determinação. Com efeito, e concordando por uma vez com Sartre, o Homem nasceu para ser livre. Mas esse destino não é um simples equivalente da falta de constrangimentos ou da simples ausência de proibições. Nem um “ai que prazer / não cumprir um dever / ter um livro para ler / e não o fazer”. Ou o tudo poder fazer, sem limite, nem critério. Ser livre é ser escravo da consciência e senhor da vontade. E é pois entre consciência e vontade que devem ser geradas as nossas escolhas, expressões concretas da nossa liberdade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para ser livre é preciso ter escolhas possíveis. O problema é que, para muitos, as opções disponíveis são reduzidas e predominantemente más. Por outro lado, não dispõem, por vezes, dos instrumentos necessários para fazer as escolhas certas, graças a uma formação deficiente da sua consciência. Ou ainda, estão marcados pelo círculo vicioso de escolhas erradas que outros já antes fizeram e das quais herdam uma pesada factura. É então que se abrem a portas a diferentes escravidões que matam a liberdade. São milhões os que ainda não são livres e, provavelmente, nunca o virão a ser. Vivem enclausurados pelas grades da pobreza, das dependências, da exclusão social e da desesperança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros há que podendo ser livres, prefeririam não ter esse fardo da escolha. Passavam bem sem a liberdade. Têm um certo horror à responsabilidade de escolher. Sonham que alguém o fizesse por eles, deixando-os numa confortável posição de seguidores ou de detractores. Parecendo que não, esta posição tem o seu encanto. É ver o jogo sentado, em vez de arriscar a jogar. É ficar num lugar muito seguro. Cinzento, mas cómodo. Permite contornar a angústia da escolha e o peso das suas consequências. A procura de um Pai autoritário, que ciclicamente observamos, radica aqui. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, na verdade, para quem quer assumir plenamente a sua humanidade e viver uma vida a cores, amar a liberdade é um desígnio irrecusável. É o que nos separa dos rastejantes. Mas não nos chega uma liberdade qualquer. Para quem quer viver a liberdade a sério, o grande desafio é, em cada escolha, não só escolher o bem em vez  do mal. É querer ir mais longe. A liberdade mais perfeita é a que é capaz de, entre dois bens, escolher o bem maior. O mais universal e o mais urgente. Esta deveria ser a nossa maior ambição ao ser livres. Mas isto não é nada fácil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 25/4/2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-3184092953522910824?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/3184092953522910824/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=3184092953522910824' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/3184092953522910824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/3184092953522910824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/05/bem-maior.html' title='Bem maior'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-889312366850693969</id><published>2007-04-18T14:04:00.000+01:00</published><updated>2007-04-18T14:07:51.898+01:00</updated><title type='text'>O triângulo do fogo</title><content type='html'>Há cerca de quinhentos anos, estávamos nas vésperas de um dos acontecimentos mais negros na história de Lisboa. Em três dias – de 19 a 21 de Abril de 1506 – num movimento quase espontâneo, gerado por vozes fanáticas que exploraram um sentimento anti-semita pré-existente, libertaram-se demónios que chacinaram sem dó, nem piedade, duas a quatro mil pessoas. Suspeitas de permanecerem fiéis à tradição judaica, apesar de convertidos à força ao cristianismo (cristãos-novos), estas gentes foram trucidadas numa onda de loucura colectiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito deste acontecimento é útil aprender com a História.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O populismo para arder necessita, tal como o fogo, de combustível, comburente e calor. Esses elementos constituintes do “triângulo” do fogo precisam estar presentes simultaneamente para que o incêndio ocorra. Façamos o paralelismo: nessa altura, o combustível era representado pelas condições sociais desfavoráveis de crise grave, induzida pela seca, com consequente fome, e agravada pela peste. Ontem, como hoje, o populismo só coloca multidões irracionais em movimento quando beneficia de um contexto de crise que lhe sirva de combustível. Sem ela, não arde. Por isso, sempre que se está perante crises de grande desemprego e pobreza alargada, todos os alertas devem estar monitorizados para este risco de “incêndio” social.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas a crise, por si só, não é suficiente. Precisa ainda de comburente. No século XVI, o contexto de anti-semitismo viabilizou a tragédia. Qual oxigénio para o incêndio social, o preconceito em relação ao “outro” – seja ele estrangeiro, judeu ou negro – é essencial para que a combustão se dê. A existência de índices elevados de xenofobia e de racismo, o desenvolvimento de diferentes expressões de choque de civilizações e o medo instilado face a hipotéticas ameaças protagonizadas por um “outro” que nos é apresentado como desumanizado, devem constituir outro eixo de alerta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Finalmente, na metáfora do fogo, o papel dos que instigaram à selvajaria. Aparentemente dois protagonistas terão incendiado os lisboetas com apelos ao morticínio dos cristãos-novos. Quando perante elevadas cargas de combustível social – crise, desemprego, pobreza – e de comburente – diabolização de um qualquer “outro” – alguém lança uma chama, quase sempre se produz uma grande explosão. Foi isso que aconteceu, em 1506, na capital do reino e que custou a vida a milhares de pessoas. E que se pode reproduzir sempre que o triângulo do fogo social está completo. Por isso, vozes populistas, um pouco por toda a Europa, constituem um perigo sério enquanto incendiários sociais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ora, tal como na prevenção e combate ao fogo, urge uma atitude sensata de lutar contra a coexistência e potenciação destes três factores, no mesmo tempo/local. A prevenção faz-se, portanto, combatendo o preconceito que é comburente, a crise que é combustível e os argumentos dos incendiários. Antes que o incêndio comece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 18 Abril 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-889312366850693969?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/889312366850693969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=889312366850693969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/889312366850693969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/889312366850693969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/04/o-tringulo-do-fogo.html' title='O triângulo do fogo'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-9115965484031123331</id><published>2007-04-11T09:07:00.001+01:00</published><updated>2007-04-11T09:15:43.455+01:00</updated><title type='text'>Dever e Gratidão</title><content type='html'>“&lt;em&gt;Se servistes a Pátria e ela vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, e ela o que costuma&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;P. António Vieira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos nossos maiores defeitos enquanto Povo é a ingratidão perante os que servem Portugal. Somos vezes de mais, nesse domínio, grosseiros e insensíveis. Não cuidamos de reconhecer e agradecer àqueles que serviram o Bem comum, desdenhando da sua competência, da sua intenção e da sua virtude. Escondemo-nos atrás do “não fizeram mais que a sua obrigação!” ou pior ainda “se o fizeram é porque tinham algum interesse”. Como sublinhava Flaubert “&lt;strong&gt;aos incapazes de gratidão nunca lhes faltam razões para não a ter&lt;/strong&gt;”. E nós por costume, somos incapazes de dizer obrigado, tornando-nos assim seres vulgares e gente sem nobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Note-se que ser grato, nada tem a ver com ser servil ou bajulador. Disso, infelizmente, temos de sobra. A gratidão exerce-se sobretudo quando já não é possível ao agradecido retribuir ou recompensar tal gesto. Quando não há risco de ter alguma coisa a receber. Quando o visado está na “mó de baixo” ou quando é vítima de ataques vários, entre os quais o do esquecimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trago alguns exemplos para não ficar por generalidades. Não temos vergonha enquanto Povo, que Gaspar Castelo Branco, o mais alto dirigente público assassinado por terroristas das FP 25, em 1986, nunca tenha sido homenageado e condecorado pelo Estado português? Não temos coragem para corrigir a forma vergonhosa como nos portámos, enquanto País, no momento da sua morte? Ou não temos nenhum peso na consciência, por termos deixado que personalidades políticas e servidores do Estado que serviram Portugal com tudo o que tinham e sabiam, como Leonor Beleza ou Roberto Carneiro tivessem sido triturados por notícias e processos judiciais que se vieram a provar como injustificados? Não nos escandalizamos que, inúmeras vezes, quando um servidor do Estado, seja membro de força de segurança ou outro, morre em serviço, atribuamos aos seus dependentes uma mísera pensão, normalmente depois de meses eternos de espera? Que gente somos nós? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se por um lado, esta constatação nos deve fazer corar de vergonha – e fazer-nos corrigir este defeito colectivo – por outro, em nada deve beliscar o nosso sentido de dever no serviço à Pátria. Porque mesmo que esta seja ingrata, servi-la, bem como à humanidade no seu todo, é um dever. Como diz Vieira, é “&lt;strong&gt;fazer o que devemos&lt;/strong&gt;”. Da melhor forma que sabemos e podemos, sem esperar recompensa. Infelizmente, nos nossos dias, desvalorizamos esta noção de serviço ao bem comum e à causa pública. Privatizamos os nossos interesses e descuramos a construção colectiva da comunidade onde nos inserimos. Não damos exemplo, nem transmitimos aos nossos filhos a paixão pelo serviço a Portugal. Cultivamos mesmo um cepticismo cínico que goza com quem “estupidamente” segue esse caminho. Mas não tenhamos dúvidas: assim, cavamos a nossa vala comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 11 de Abril&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-9115965484031123331?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/9115965484031123331/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=9115965484031123331' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/9115965484031123331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/9115965484031123331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/04/dever-e-gratido.html' title='Dever e Gratidão'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1119878510270395888</id><published>2007-04-06T01:48:00.000+01:00</published><updated>2007-04-06T01:50:02.492+01:00</updated><title type='text'>Lavar os pés?!!</title><content type='html'>Aproximam-se os dias mais sagrados do calendário cristão. A Páscoa, núcleo central da fé cristã, desdobra-se por toda uma semana que vai da aclamação na entrada em Jerusalém, até à “derrota” da crucificação que é ultrapassada pela glória da ressurreição, três dias depois. A este propósito e independentemente das convicções religiosas de cada um,  mesmo para aqueles que nada têm a ver com o cristianismo, vale a pena rever a fascinante figura histórica de Jesus, nalguns dos seus traços essenciais.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Judeu de há dois mil anos, nascido em família humilde, ainda que da linhagem real de David, esta figura mudou a história da humanidade e, mais do que isso, continua a poder transformá-la significativamente. Entre tudo o que disse e fez, multiplicaram-se os paradoxos e os inesperados. Quase nada foi linear ou óbvio. Mas nessa surpreendente cascata de gestos e palavras, encontramos inspiração para o que poderia ser um mundo melhor. Independentemente de sermos cristãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto, situemo-nos, nestes dias, na descrição de uma das etapas finais – e centrais - da vida de Jesus. Depois de ter entrado em Jerusalém aclamado pelas multidões, Ele sabe o que o espera nos dias seguintes. As multidões mudam com excessiva facilidade e não há nada mais volátil que a fama. Nos bastidores, os poderes instalados temem-No e procuram, por todas as vias, derrotá-Lo. Antecipando tudo o que vai acontecer, reúne os Seus amigos e seguidores num jantar. Antes de o iniciar, para escândalo dos seus comensais – “Senhor, tu lavares-me os pés? Nunca!”, diz o seu amigo Pedro - pega numa bacia e numa toalha e começa a lavar os pés aos que estavam com Ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora no contexto da época, esse gesto era da responsabilidade dos servos humildes. Á chegada dos convidados lavavam-lhes os pés sujos e empoeirados do caminho, para que ficassem mais confortáveis. Mas nunca o senhor da casa fazia tal gesto. Como era então possível que Aquele que se anunciava como o Filho de Deus se humilhasse aos olhos dos seus contemporâneos? A razão é simples: quanto maior, mais servidor dos outros. Aí está a verdadeira grandeza. Mas também a provocação. Nas suas palavras, “ora se eu, sendo Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhemos este desafio somente com os nossos olhos laicos, mesmo sem fé ou compromisso religioso.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal como naquele tempo, ainda hoje temos muita repugnância em aderir a esta inversão das nossas expectativas. Ambicionar o servir - e não o ser servido - como meta e expressão de plenitude muda tudo. Essa mensagem verdadeiramente revolucionária, poderia ser inspiradora para os nossos dias. Se cada um de nós, particularmente os que têm mais responsabilidade, onde quer que seja, procurasse acima de tudo servir humildemente, o mundo seria muito diferente. Mas nunca é tarde para começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 4 Abril 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1119878510270395888?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1119878510270395888/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1119878510270395888' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1119878510270395888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1119878510270395888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/04/lavar-os-ps.html' title='Lavar os pés?!!'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1779964041249205912</id><published>2007-04-01T23:48:00.001+01:00</published><updated>2007-04-01T23:48:33.124+01:00</updated><title type='text'>Dispostos a dar?</title><content type='html'>Cinquenta anos de utopia construída é obra. Contra ventos e marés, cumpriu-se por estes dias meio século de existência do que hoje chamamos União Europeia. Apesar de não termos estado entre os seis fundadores, devemos festejar este momento histórico desta Europa a que pertencemos. Mas, em tempo de festa, é uma boa oportunidade para regressar às origens e actualizar o projecto, revivificando-o.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que nasceu a Europa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom lembrar que a ideia de uma comunidade europeia surge no contexto de um continente em escombros, após a IIª Guerra mundial, ainda mais brutal que a primeira. Apesar de só indirectamente termos sentido os efeitos dessa catástrofe é importante não a esquecer, bem como ter presente que o risco da sua repetição nunca está definitivamente afastado. O melhor antídoto para evitar novos tempos sombrios é persistir na inspiração dos que, a partir de uma Europa dilacerada e dividida entre inimigos, ousaram pensar diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, os homens que lutaram por este sonho que se tornou realidade – Schuman, Adenauer, Monnet, entre outros – sabiam que a construção de um futuro de paz, num continente tradicionalmente devorado por guerras cíclicas, só seria possível num quadro de uma maior justiça e redistribuição solidária da riqueza. Mas também de interdependência e com um mercado comum, de livre circulação de bens, capitais e trabalhadores. E o mais extraordinário é que foram capazes de o fazer entre potências inimigas, saídas de uma guerra. Ao colocarem o seu futuro nas mãos uns dos outros, criaram condições para que ninguém fosse dispensável e que se tornasse inviável uma nova Guerra. Dizia Schuman: “A Europa unida prefigura a solidariedade universal do futuro..Estendemos a mão aos nossos inimigos, não apenas para nos reconciliarmos, mas para construirmos juntos a Europa do amanhã” Como resultado, tivemos cinquenta anos de paz e de um desenvolvimento extraordinário. Essa é a perspectiva fundadora do projecto europeu, com a qual se deve estar em sintonia absoluta. Por isso, para o nosso tempo é fundamental recuperar esta inspiração original da fundação da Comunidade Europeia, percebendo que é no repartir que está o ganho. Só teremos sucesso juntos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, entre nós, temos da União Europeia, tantas vezes, uma visão utilitarista e egoísta, de quem está sempre à espera de receber alguma coisa, nomeadamente, fundos comunitários. Discutimos muito pouco o que temos a dar. Evitamos pensar sobre o que podemos contribuir para que concretize o princípio de solidariedade com os mais pobres, que aguardam à porta da União a sua oportunidade de entrar. Mas essa é mesmo a questão fundamental: o que estamos dispostos a dar? Temo que a resposta possa ser “nada” ou “muito pouco”. Mas se assim o for, saibamos que estamos fora do espírito europeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na comemoração do cinquentenário, numa ocasião histórica em que um Português, pela primeira vez, preside aos destinos da Comissão Europeia, é uma boa altura para reforçarmos a nossa pertença a este projecto, estando disponíveis para dar o melhor de nós, para continuar a construir um continente de paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correio da Manhã, 28 de Março 2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1779964041249205912?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1779964041249205912/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1779964041249205912' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1779964041249205912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1779964041249205912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/04/dispostos-dar.html' title='Dispostos a dar?'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-8441790598001885971</id><published>2007-04-01T23:46:00.000+01:00</published><updated>2007-04-01T23:47:33.243+01:00</updated><title type='text'>Tecto de Vidro</title><content type='html'>Indiscutivelmente, a nossa sociedade mudou muito – e para melhor - nas últimas décadas, fruto de inúmeras reformas programadas e de acasos felizes. Aumento do nível de escolaridade por democratização do acesso, alteração do estatuto da mulher, melhoria global do nível de vida e terciarização acelerada são algumas das alavancas dessa transformação. Assim se reduziu o determinismo a que estavam sujeitas, há algumas décadas, as novas gerações na sua mobilidade social. É bom lembrar que durante séculos, filho de sapateiro, sapateiro seria. Nesse tempo, seria heresia pensar-lhe outro destino. Hoje já não é obrigatoriamente assim. Claro que ainda restam limitações, mas, por regra, ninguém vê bloqueada a sua mobilidade social só por causa da origem humilde da sua família. É bom que possamos transmitir às novas gerações que está ao seu alcance construírem o futuro que ambicionam e que será muito mais importante o seu mérito pessoal que a origem familiar ou social. Aliás, a nossa sociedade deve ser, cada vez mais, meritocrática. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste contexto, tanto o Professor Cavaco Silva, como o Eng. José Sócrates são um exemplo inspirador. Nenhum deles vem de “berço de ouro” e, apesar disso, atingiram os mais altos cargos da Nação. Têm nesse percurso um mérito pessoal inquestionável, mas beneficiaram também de uma sociedade que desbloqueou o “elevador social”. São um excelente incentivo a que outros não se sintam derrotados à partida, destinados a reproduzir o mesmo estatuto social dos progenitores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há um grupo para o qual este destino – reproduzir o estatuto social dos pais - ainda é uma realidade: os descendentes de imigrantes e de minorias étnicas, particularmente os provenientes de bairros pobres e guetizados em torno de Lisboa e Setúbal. Para eles, a simples referência no seu curriculum a uma morada da Cova da Moura, na Amadora, ou da Belavista, em Setúbal é sinónimo de nem sequer chegar à entrevista. A cor da sua pele, evidenciada na sua fotografia, tem o mesmo efeito. O facto de não terem nacionalidade portuguesa, apesar de aqui terem nascido, acrescenta mais um obstáculo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta discriminação é, quase sempre, subtil e não acontece por faltarem leis que a proíbam. É um “tecto de vidro” que, mesmo não se vendo, os próprios sentem-no violentamente. A sua existência não os deixa ascender a níveis superiores de integração social e profissional, exclusivamente por causa da sua origem étnica ou social. Isso constitui uma fonte de revolta e uma enorme injustiça que urge reparar. A ascensão social deve ser resultado exclusivo do seu mérito, independentemente da cor da pele, ou do local onde mora. Hoje, que é o Dia Internacional que as Nações Unidas dedicam à eliminação da Discriminação Racial, deveríamos lembrar estes tectos de vidro e fazer alguma coisa para os destruir. No jogo da vida, há que garantir, à partida, igualdade de oportunidades para todos. Para que alguns não entrem já com a derrota inscrita no seu destino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 21 Março 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-8441790598001885971?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/8441790598001885971/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=8441790598001885971' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/8441790598001885971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/8441790598001885971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/04/tecto-de-vidro.html' title='Tecto de Vidro'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-785506235876336445</id><published>2007-04-01T23:39:00.001+01:00</published><updated>2007-04-01T23:46:26.520+01:00</updated><title type='text'>É possível</title><content type='html'>Havia um dogma na Televisão em Portugal: em regime de concorrência, não era possível fazer programação de qualidade e com audiência. Qualquer aposta na qualidade, seria sempre condenada a um falhanço de audiência e audiências de sucesso significariam, invariavelmente, uma má qualidade. Esta predestinação limitava quer a ousadia dos profissionais, quer a inteligência do público. A opção para quem queria muitos telespectadores era só uma: tele-lixo. Era comum, então, dizer-se que o público tinha a televisão que merecia. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas algo mudou, nestes últimos anos, sob o impulso de decisores políticos clarividentes, em diferentes Governos. Passo a passo, com determinação e génio, a RTP 1 tem vindo a mostrar que, afinal, é possível. Com uma programação inteligente e com bom-gosto, sem pretensiosismos bacocos, nem cedências gratuitas, o canal público tem mostrado o caminho. Soube evitar armadilha de confundir qualidade com snobismo ou  seriedade com cinzentismo. Subtraíram a definição de “qualidade” do domínio dos intelectuais e tornaram-na popular. Com os Gatos, mas também com Dança Comigo; com a ficção portuguesa clássica, mas também com a Contra-Informação. E os resultados apareceram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste roteiro está também uma informação credível, onde com o seu principal produto – o Telejornal -  é líder de mercado. O risco de promover um grande debate semanal – Prós e Contras - e de colocar as Grandes Entrevistas em horário nobre foi recompensado pelo público. Este também continua a apreciar os momentos de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Vitorino, dois dos mais brilhantes comunicadores do nosso espectro mediático. As críticas quanto a independência (ou falta dela) da informação não colhem, apesar de, aqui e além, poderem ser discutíveis os critérios editoriais. Mas, onde não o são?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que isto não significa que tenha atingido a perfeição. Longe disso. Aliás, é bom que os líderes desta revolução tranquila - seja a Administração da RTP, sejam Luís Marinho e Nuno Santos - não se deixem adormecer por estes sucessos. É importante que, no caminho trilhado, se vá mais longe. Sem quebras, nem hesitações. Porque se é possível fazer televisão com qualidade que os espectadores vêem, então há a obrigação de a fazer. Já não há desculpas.  É possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã, 14 Março 2007&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-785506235876336445?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/785506235876336445/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=785506235876336445' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/785506235876336445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/785506235876336445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/04/possvel.html' title='É possível'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8526731815117265619.post-1141793236865744519</id><published>2007-04-01T23:30:00.000+01:00</published><updated>2007-04-01T23:44:52.807+01:00</updated><title type='text'>Oportunidade ou Ameaça?</title><content type='html'>Conclui-se hoje, na Fundação Gulbenkian, o Colóquio Internacional dedicado à Imigração que escolheu como ângulo de análise, a dicotomia “ameaça ou oportunidade” para reflectir sobre este fenómeno incontornável do nosso tempo. &lt;br /&gt;Não restam dúvidas que a imigração, se legalmente regulada e socialmente integrada, representa uma oportunidade extraordinária, quer para os países de origem, quer para os países de acolhimento, quer sobretudo para os próprios migrantes. Estes, entre os quais se contam 4,5 milhões de portugueses, encontram na sua emigração uma oportunidade para mudar de vida, cortando as amarras à pobreza, ao desemprego e aos horizontes limitados. Labutando e sofrendo, comem do pão que o diabo amassou, mas mudam o seu destino e o das suas famílias. Ajudam que ficou para trás e abrem caminho para os seus sigam em frente. Oferecem-lhes um futuro onde nunca chegariam não fora a oportunidade da emigração.    &lt;br /&gt;Mas os países de acolhimento beneficiam igualmente deste fluxo migrante. Através da resposta que os imigrantes dão a postos de trabalho livres, que os nacionais não querem ou não podem ocupar, estes países têm a oportunidade, através da imigração, de manter as suas economias competitivas. A estas sociedades, os imigrantes somam-lhes empreendedorismo e subtraem-lhes preguiça. Dão-lhes diversidade e retiram-lhes velhice. Não é por acaso, que entre os países mais poderosos estão nações de migrantes, como os Estados Unidos, o Canadá ou a Austrália, ou outros países com uma longa tradição de acolhimento de imigrantes, como a Alemanha. &lt;br /&gt;Finalmente, também os países de origem vêem nestes movimentos migratórios uma oportunidade de reduzir a pressão de desemprego e de gerar remessas futuras.  Estas representaram para Portugal, no ano passado, cerca de 2.420 milhões de Euros. &lt;br /&gt;Mas todas as realidades têm duas faces. Indiscutivelmente, as migrações podem constituir uma ameaça, nomeadamente à coesão social, se as partes envolvidas ignorarem as suas responsabilidades em termos de integração. Tanto sociedades de acolhimento, quanto cidadãos imigrantes, são responsáveis pela integração, num processo dinâmico, interactivo e de adaptação mútua. Se aos nacionais é pedido que reconheçam e respeitem todos os direitos de cidadania aos imigrantes, destes é esperado que assumam todas as responsabilidades de um cidadão. Quem acolhe um imigrante, responsabiliza-se por integrá-lo. Quem escolhe um país de destino, obriga-se a respeitá-lo. &lt;br /&gt;O processo de integração deve ser, por isso, motivo de convergência de esforços de todos – nacionais e imigrantes – para que os riscos da exclusão social, do medo e da desconfiança não transformem a extraordinária oportunidade que imigração representa, numa sombria ameaça que ninguém deseja. E não podemos guardar para amanhã, essa responsabilidade de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Correio da Manhã&lt;/em&gt;, 7 Março 2007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8526731815117265619-1141793236865744519?l=sabor-do-vento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/feeds/1141793236865744519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8526731815117265619&amp;postID=1141793236865744519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1141793236865744519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8526731815117265619/posts/default/1141793236865744519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sabor-do-vento.blogspot.com/2007/04/oportunidade-ou-ameaa.html' title='Oportunidade ou Ameaça?'/><author><name>Rui Marques</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02404905605252760188</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
